Política

Equipe de Castro estuda renúncia para escapar de cassação no TSE

Defesa trabalha com duas datas, mas lei de 2025 pode garantir inelegibilidade mesmo sem julgamento
Cláudio Castro em retrato institucional estudando renúncia para evitar cassação no TSE

A defesa do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), passou a trabalhar com datas para uma possível renúncia antecipada após o ministro Nunes Marques pedir vista e adiar o julgamento de cassação no TSE, em 10 de março.

Duas datas estão no radar: 23 de março, caso o cenário desfavorável se confirme, e 4 de abril, limite do prazo eleitoral. A tese jurídica é que, sem mandato, o tribunal perderia o objeto da ação — mas especialistas contestam a eficácia da manobra.

A manobra e o risco legal

A lógica da defesa é direta: se Castro deixar o cargo voluntariamente antes do encerramento do julgamento, não haveria mais mandato a ser cassado, e o TSE seria obrigado a arquivar a ação por falta de objeto.

Especialistas, porém, alertam que o raciocínio tem falhas. O advogado Guilherme Barcelos, especialista em direito eleitoral, afirma que a renúncia não interrompe o processo quando há indícios de participação direta do político nas irregularidades investigadas.

Há ainda um obstáculo legislativo: a Lei Complementar nº 219, de 2025, que alterou as regras de inelegibilidade, estabelece que mandatários que renunciarem após o oferecimento de representação ficam inelegíveis pelos oito anos seguintes. A regra vale para governadores, o presidente da República, prefeitos e membros do Legislativo em todos os níveis.

O pedido de vista de Nunes Marques, que adiou o julgamento para 24 de março, foi o gatilho direto para que a defesa passasse a trabalhar com datas de renúncia como saída estratégica.

Flávio Bolsonaro e a disputa pela vaga no Senado

A percepção de abandono no entorno do governador não é nova: o voto do ministro Antônio Carlos já havia exposto a ruptura entre Flávio Bolsonaro e Castro — e o nome de Felipe Curi como sucessor começou a circular desde então, como o Tropiquim havia antecipado.

O cálculo de Castro era que os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça — indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — seriam votos favoráveis. Não foram. E sem o apoio da ala bolsonarista, o governador viu o cenário de cassação ganhar contornos mais concretos.

Se Castro for impedido de concorrer ao Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá preencher a vaga com um perfil declaradamente opositor ao STF. Um dos nomes cotados para essa missão é o atual chefe de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi.

A segunda hipótese de saída — no dia 4 de abril — só deve ocorrer se Castro tiver segurança de que não será cassado nem inelegível. Nas últimas horas, a confiança no entorno do governador teria aumentado com a percepção de que sinais de postura moderada em relação ao STF estariam sensibilizando adversários políticos.

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