O dólar opera em queda nesta terça-feira (17), cotado a R$ 5,2204, recuo de 0,20%, enquanto o mercado acompanha a guerra entre EUA, Israel e Irã — agora em sua terceira semana.
A tensão no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, mantém o barril Brent próximo a US$ 106, acumulando alta superior a 40% desde o início do conflito.
O ponto de maior atenção do mercado nesta terça é a resistência de aliados dos EUA em colaborar militarmente no Estreito de Ormuz. Alemanha, Itália, Espanha, Japão e Austrália rejeitaram o pedido de Donald Trump para envio de navios de guerra à região, argumentando que o conflito não é deles.
Em discurso na Casa Branca na segunda-feira, Trump reconheceu que alguns parceiros estão “a caminho” para ajudar, enquanto outros “não se mostraram muito dispostos”. O presidente frisou que os EUA obtêm menos de 1% do seu petróleo pelo estreito — enquanto Japão, China, Coreia do Sul e países europeus dependem muito mais da passagem.
Na última quarta-feira, o petróleo despencou 11% em um único pregão — a maior queda percentual em anos — depois que Trump sinalizou uma resolução mais rápida do conflito, o que ajuda a entender por que o barril recua para US$ 106 e os mercados operam com algum alívio nesta terça. Entenda o tombo do petróleo e o comportamento do dólar na sessão anterior.
Selic na mira
O Boletim Focus do Banco Central revisou as expectativas para o Copom desta semana. O mercado passou a projetar corte de apenas 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano — menor do que se esperava antes da pressão do petróleo sobre a inflação global.
A ameaça à Ilha de Kharg — responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã — adiciona mais incerteza ao cenário de oferta energética e contribui para a postura mais cautelosa do mercado em relação ao corte dos juros no Brasil.
Frentes abertas além do Irã
A guerra ganha novos contornos no Líbano. Israel anunciou uma operação terrestre “limitada” no sul do país contra alvos do Hezbollah, com o objetivo declarado de destruir infraestrutura do grupo. Na prática, é uma incursão em território estrangeiro — o mesmo eufemismo utilizado em outubro de 2024, quando tropas israelenses já haviam atravessado a fronteira libanesa.
Desde a retomada do conflito com o Hezbollah, no início de março, Israel intensificou bombardeios no Líbano, que já registra centenas de mortos e o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.
Na segunda semana do conflito, com o Estreito de Ormuz ainda fechado, o petróleo chegou a superar US$ 110 e o dólar operava a R$ 5,27 — patamar que mostra o quanto os mercados oscilaram desde o pico da crise. Veja como os mercados reagiram na semana anterior, quando o barril ultrapassou US$ 110.
Mercados globais e projeções
Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, avalia que a liberação de reservas estratégicas por nações desenvolvidas ajudou a aliviar parte da pressão sobre o petróleo. Para ele, o barril pode recuar abaixo de US$ 80 nos próximos meses, embora a volatilidade de curto prazo mantenha os preços acima de US$ 100.
“Mesmo com algum alívio nos mercados, qualquer recuperação nos investimentos pode ser revertida devido à volatilidade e ao sentimento dos investidores diante dos impactos econômicos”, afirma o analista.
Na segunda-feira, Wall Street fechou no campo positivo: Dow Jones (+0,83%), S&P 500 (+1,01%) e Nasdaq (+1,22%). Na Europa, DAX (+0,50%), CAC 40 (+0,31%) e FTSE 100 (+0,55%) também subiram. Na Ásia, o movimento foi misto: Hang Seng avançou 1,45%, mas Nikkei (-0,1%) e Xangai (-0,26%) recuaram.