O eventual apoio de Donald Trump à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tende a beneficiar mais o presidente Lula do que o próprio senador. É o que indica pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (13).
Entre os 2.004 entrevistados, 32% afirmaram que o endosso do republicano americano aumentaria a chance de votar em Lula na eleição de 2026. Já 28% disseram o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro.
Os números completos do levantamento
A pesquisa mostra que 19% dos entrevistados afirmam que o apoio de Trump os levaria a preferir um candidato de terceira via — nem Lula, nem Flávio. Outros 14% dizem que o endosso americano não mudaria em nada a decisão de voto, e 7% não souberam ou não responderam.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Na mesma pesquisa, Lula e Flávio apareceram empatados em 41% no segundo turno — contexto que torna qualquer variável capaz de deslocar votos especialmente decisiva a menos de sete meses do pleito.
Imagem dos EUA no Brasil em queda consistente
O levantamento também mediu a percepção dos brasileiros sobre os Estados Unidos. A opinião desfavorável ao país americano está em 48% em março de 2026 — mesmo patamar de agosto de 2025, mas bem acima dos 25% de outubro de 2023.
A avaliação favorável aos EUA recuou para 38%, ante 44% em agosto passado. Em fevereiro de 2024, o prestígio americano entre os brasileiros chegava a 58% — uma queda de 20 pontos percentuais em pouco mais de dois anos.
A corrida presidencial já vinha se apertando antes desta pesquisa: o Datafolha divulgado dias antes mostrou a vantagem de Lula derreter de 15 para apenas 3 pontos percentuais em menos de noventa dias, sinalizando que o pleito entrou em fase de alta volatilidade.
O resultado da Quaest sugere que o nome de Trump pode funcionar como mobilizador do campo oposto ao de Flávio. Parte do eleitorado que poderia ser atraída pelo endosso americano já tende ao bolsonarismo; para os demais, a associação com o republicano parece atuar como motivador de voto em Lula ou em uma terceira via.
A deterioração da imagem dos EUA no Brasil reforça essa leitura. Com a rejeição ao país americano subindo de 25% para 48% em pouco mais de dois anos, o apoio de Trump pode ter se tornado uma faca de dois gumes — capaz de consolidar uma base já convicta, mas de afastar os indecisos que decidirão a eleição.