Política

STF torna facultativo depoimento de ex-sócio do Master na CPMI do INSS

Banqueiro Augusto Lima, preso em operação federal, pode invocar direito ao silêncio na comissão

O ministro André Mendonça, do STF, tornou facultativo o depoimento do banqueiro Augusto Ferreira Lima na CPMI do INSS, previsto para quarta-feira (11). A decisão garante ao ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master o direito ao silêncio e à assistência de advogado.

Lima é controlador do Banco Pleno — cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em fevereiro — e foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025.

De supermercado a crédito consignado nacional

A ascensão de Augusto Lima no setor financeiro começou com a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Ao adquirir a rede Cesta do Povo, Lima passou a controlar também o Credcesta — cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais, criado na Bahia.

Em parceria com o Banco Master, o produto foi expandido para todo o país e convertido em instrumento de crédito consignado. Segundo requerimento da CPMI para a quebra de sigilo bancário de Lima, o Credcesta “se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras”.

O mesmo documento aponta que parte relevante dos créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi informada às autoridades ou não possuía recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras.

Lima também exerceu o cargo de CEO do Banco Master e adquiriu o controle do Banco Pleno em 2025, com autorização do Banco Central concedida em julho — instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada em fevereiro de 2026.

A decisão de Mendonça segue padrão já consolidado: semanas antes, o ministro havia adotado o mesmo entendimento para Daniel Vorcaro na CPI do Crime Organizado, tornando facultativo o depoimento do dono do Banco Master e ex-sócio de Lima.

Conexões políticas e investigação federal

Segundo o blog do Valdo Cruz, Augusto Lima mantém laços próximos com petistas baianos, entre eles o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A notoriedade pública do banqueiro cresceu justamente a partir da compra da Cesta do Povo, durante a privatização da Ebal.

Foi Lima quem procurou o então ministro Ricardo Lewandowski para contratá-lo como consultor jurídico do Banco Master, com intermediação de Jaques Wagner. O banqueiro também esteve presente na reunião de Daniel Vorcaro com o presidente Lula no fim de 2024.

O Banco Master, que Lima co-fundou com Vorcaro, é o alvo central da Operação Compliance Zero — a mesma investigação que resultou na prisão de Vorcaro e no bloqueio de R$ 22 bilhões pelo STF. Lima foi preso preventivamente no âmbito da mesma operação, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025.

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