Política

STF julga emenda que anistiou partidos por descumprir cotas eleitorais

Rede Sustentabilidade e quilombolas contestam norma que barrou punições por não investir em campanhas de mulheres e negros

O Supremo Tribunal Federal deu início, nesta quarta-feira (11), ao julgamento de uma ação que pede a derrubada da emenda constitucional responsável pela anistia de partidos políticos.

A norma liberou as legendas de multas e suspensão de fundo partidário por não terem cumprido as cotas de recursos destinados a candidaturas de mulheres e negros em eleições anteriores a 2022.

A ação foi ajuizada em 2023 pela Rede Sustentabilidade e pela Federação Nacional das Associações Quilombolas — a Fenaq — que apontam violação aos princípios constitucionais de igualdade e não discriminação.

O que está em jogo

A emenda constitucional contestada modificou o texto da Constituição Federal para impedir que partidos que deixaram de investir nas campanhas de mulheres e pessoas negras sejam responsabilizados por esse descumprimento em pleitos realizados antes de 2022.

As punições previstas eram significativas: multas, obrigação de devolução de valores ao erário e suspensão do repasse de fundo partidário. Com a emenda, essas sanções foram bloqueadas de forma retroativa, beneficiando legendas que ignoraram as obrigações de representatividade.

A norma ainda abre caminho para que os partidos utilizem recursos não aplicados anteriormente em candidaturas de grupos sub-representados nas eleições seguintes, postergando obrigações já vencidas.

Andamento no plenário

O ministro Gilmar Mendes, designado relator do caso, apresentou ao plenário um relatório com o histórico de tramitação do processo. Após o relato, a fase de sustentações orais foi aberta e os representantes das partes — incluindo Rede e Fenaq — passaram a expor seus argumentos diretamente aos ministros da corte.

Por que o julgamento importa agora

A obrigação de destinar parte do fundo eleitoral e do horário de propaganda gratuita a candidatos mulheres e negros foi consolidada em decisões anteriores do TSE e do próprio STF. A emenda constitucional aprovada pelo Congresso surgiu como resposta direta a essas determinações, esvaziando as sanções previstas.

Para os autores da ação, a norma representa um retrocesso institucional ao premiar o descumprimento de regras de representatividade sem qualquer contrapartida. O argumento central é que a emenda viola a cláusula pétrea da igualdade e o princípio constitucional de proibição à discriminação.

O desfecho do julgamento pode ter impacto direto nas eleições de 2026, uma vez que a emenda também regulamenta como os partidos devem tratar as obrigações de financiamento de candidaturas femininas e negras daqui em diante — tornando a decisão do STF determinante para as regras do próximo ciclo eleitoral.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Coaf aponta fuga de R$ 707 mi do Master para offshore de Vorcaro nas Cayman

Irã instala minas navais no Estreito de Ormuz e ameaça petróleo global

Marinho garante: carteira assinada na colheita de café não cancela Bolsa Família

Hackers ligados ao Irã executam ciberataque massivo contra a Stryker