A Renault apresentou nesta terça-feira (10) o plano estratégico futuREady, com meta de vender 2 milhões de veículos até 2030 — metade deles fora da Europa e em versões eletrificadas.
A iniciativa é uma resposta direta ao avanço de fabricantes chinesas como BYD e Chery, que pressionam o mercado global com preços baixos e ritmo acelerado de expansão.
No Brasil, o impacto já é visível: a Renault perdeu quase metade do market share desde 2019, caindo de 9% para 5,1% nos emplacamentos de zero quilômetro — recuo de 43% no período.
36 modelos em cinco anos, 14 voltados a mercados externos
O plano futuREady define o lançamento de 36 veículos nos próximos cinco anos. Desse total, 14 serão desenvolvidos para mercados fora da Europa — mais que o dobro dos oito lançamentos feitos no ciclo anterior.
Quatro modelos serão destinados ao mercado indiano. A produção do SUV compacto Bridger começa no próximo ano, com expansão para outros países na sequência, segundo o CEO Fabrice Cambolive.
No Brasil, o Koleos abre o capítulo híbrido
O Renault Koleos é o primeiro modelo híbrido da marca no país, com 245 cavalos de potência. O lançamento foi posicionado diretamente para enfrentar rivais chinesas como BYD e GWM no segmento de SUVs.
A pressão também vem de concorrentes tradicionais: a Stellantis — grupo que reúne marcas como Fiat e Jeep — disputa os mesmos segmentos em mercados emergentes com portfólio renovado.
A retomada do foco internacional representa uma virada estratégica após a saída da empresa de vários mercados sob a gestão do ex-CEO Luca de Meo, dentro da chamada estratégia Renaulution, que priorizou margens em vez de volume para estancar prejuízos.
Para o analista Michael Foundoukidis, da Oddo BHF, priorizar modelos mais rentáveis e ampliar a atuação internacional oferece um caminho claro para preservar a lucratividade da Renault. O ressalva é a execução: o sucesso do plano depende da capacidade operacional da empresa em colocar a estratégia em prática no tempo previsto.
O ambiente externo torna o desafio ainda maior. A redução dos incentivos a veículos elétricos nos Estados Unidos, durante o governo Donald Trump, já levou concorrentes a registrar perdas significativas e a revisar planos de eletrificação às pressas.
A pressão não é exclusividade da Renault: a Volkswagen registrou queda de mais de 50% no lucro operacional em 2025, pressionada pela mesma combinação de tarifas americanas e avanço das fabricantes chinesas que agora obriga a marca francesa a reescrever sua estratégia global.
No front brasileiro, a entrada da GAC com o SUV GS3 abaixo de R$ 200 mil ilustra a ofensiva chinesa citada pela Renault como motivação central para o futuREady — e que já levou a marca a lançar o Koleos híbrido para não perder mais terreno no país.