A percepção de deterioração econômica entre os brasileiros segue em trajetória ascendente. Pesquisa Quaest divulgada em 11 de março aponta que 48% dos entrevistados avaliam que a economia piorou nos últimos 12 meses — alta de cinco pontos percentuais em relação a janeiro e fevereiro.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Outros 24% dizem que a economia melhorou e 26% que ficou igual — queda de quatro pontos frente ao grupo que não via mudança na pesquisa anterior.
Eleitores independentes concentram o maior pessimismo
Entre os chamados eleitores independentes — segmento definido pela Quaest como quem não se identifica nem com direita, nem com esquerda, nem com lulismo, nem com bolsonarismo —, o pessimismo é ainda mais acentuado: 50% acreditam que a economia piorou. Esse grupo representa 32% do eleitorado brasileiro e tende a ser decisivo nas disputas presidenciais, com outubro de 2026 no horizonte.
Os dados sobre preços e poder de compra reforçam o diagnóstico. Segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados afirmam que o preço dos alimentos nos supermercados subiu; apenas 16% percebem queda. No campo do poder de compra, 64% dizem conseguir comprar menos do que há um ano, enquanto somente 14% relatam melhora nesse aspecto.
Mercado de trabalho e isenção do IR
A percepção sobre o mercado de trabalho é o indicador com maior equilíbrio da pesquisa: 50% dizem que está mais difícil conseguir emprego hoje, enquanto 40% consideram que ficou mais fácil.
Sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, os números praticamente não se alteraram em relação a fevereiro: 30% afirmam ter sido beneficiados pela medida e 67% dizem que não foram contemplados.
Expectativas em queda e impacto eleitoral
O pessimismo não se limita ao diagnóstico do passado recente. A expectativa de melhora para os próximos 12 meses recuou de 48% em janeiro para 41% em março, enquanto o grupo dos que esperam piora cresceu de 28% para 34% no mesmo período — uma inversão relevante de humor econômico em apenas dois meses.
O pessimismo econômico tem reflexo direto nas urnas: na mesma pesquisa Quaest de março, a desaprovação de Lula chegou a 51% — o maior intervalo entre aprovação e reprovação desde o início do terceiro mandato.
O diagnóstico tampouco vem de um único instituto: pesquisa da Ipsos-Ipec, divulgada um dia antes, já apontava que 42% dos brasileiros viam piora na economia nos últimos seis meses — convergência que transforma o pessimismo em tendência consolidada, não em ruído estatístico isolado.