Política

Líbano registra 634 mortos e 816 mil deslocados em dez dias de guerra

Entre as vítimas fatais, 91 são crianças; mais de 1.500 ficaram feridos nos ataques israelenses

O governo do Líbano anunciou nesta quarta-feira (11) um novo balanço da guerra: 634 mortos e mais de 816 mil deslocados em apenas dez dias de combates entre forças israelenses e o Hezbollah.

Entre as vítimas fatais, 91 são crianças. Mais de 1.500 pessoas ficaram feridas, segundo dados divulgados em coletiva de imprensa pelas pastas da Saúde e dos Assuntos Sociais.

Os números foram detalhados em coletiva pelo ministro da Saúde, Rakan Nassereddine, e pela ministra dos Assuntos Sociais, Haneen Sayed. Segundo Sayed, dos 816 mil deslocados registrados em sistema vinculado ao ministério, cerca de 126 mil estão abrigados em abrigos coletivos — estruturas já sob pressão pela demanda crescente.

O balanço é quase o dobro do registrado poucos dias antes, quando o número de mortos no Líbano já ultrapassava 300 e os deslocados somavam mais de 454 mil pessoas — um salto que ilustra a aceleração da ofensiva. A escalada ganhou dimensão quando o Hezbollah lançou o maior ataque de mísseis contra Israel desde o início da guerra.

No início da ofensiva israelense, que provocou fuga em massa de Beirute com mais de 100 mortos, o balanço registrava 102 vítimas fatais — número que se multiplicou por seis em menos de uma semana.

Deslocamento em escala sem precedente

A dimensão do deslocamento chama atenção: em dez dias, o número de pessoas que deixaram suas casas cresceu quase 80% em relação ao patamar anterior. Dos 816 mil deslocados, 126 mil dependem de abrigos coletivos — estruturas que enfrentam pressão crescente por espaço, alimentos e atendimento médico.

A presença de 91 crianças entre os 634 mortos evidencia o alcance dos ataques sobre zonas residenciais. O dado deve intensificar a pressão internacional por um cessar-fogo e expõe o governo libanês a demandas crescentes das organizações humanitárias que atuam no país.

O governo não detalhou a distribuição geográfica das vítimas nem informou quantos dos feridos estão em estado grave. A coletiva foi convocada para atualizar os números oficiais, que devem continuar subindo enquanto os combates prosseguem.