O presidente argentino Javier Milei afirmou, nesta terça-feira (10), sentir-se “orgulhoso de ser o presidente mais sionista do mundo”. A declaração foi feita na nova sede do JPMorgan, em Midtown Manhattan, Nova York.
Milei participava de um encontro com investidores e executivos durante a “Semana Argentina” nos Estados Unidos, série de eventos voltados à promoção do país no mercado financeiro internacional.
A declaração e seu contexto
Em discurso perante executivos financeiros, Milei reconheceu as críticas que recebe, mas as rebateu com a afirmação de seu apoio irrestrito a Israel. “Apesar de tudo do que me insultam e de todas as coisas que me dizem, das quais provavelmente algumas sejam verdadeiras, mas, deixando isso de lado, digamos que incomoda o fato de eu ser um forte defensor de Israel e eu, sinceramente, me sinto orgulhoso de ser o presidente mais sionista do mundo”, disse o mandatário.
O encontro no JPMorgan tinha como pauta central a recuperação econômica da Argentina. Milei apresentou o cenário argentino a potenciais investidores mesmo diante das turbulências globais provocadas pela guerra no Irã, conflito que tem elevado os preços do petróleo, fortalecido o dólar e abalado mercados emergentes — incluindo o argentino.
O pano de fundo mencionado por Milei tem contornos concretos. A guerra em curso entre EUA, Israel e Irã já havia levado o petróleo ao maior preço desde 2024, pressionando diretamente mercados emergentes como o argentino — o que torna ainda mais desafiador o discurso de atração de capital estrangeiro que Buenos Aires busca sustentar.
A “Semana Argentina” em Nova York integra a estratégia de Milei de projetar o país no mercado financeiro global. Desde que assumiu o governo, o presidente tem se posicionado como um dos aliados mais próximos de Israel entre os líderes mundiais, reforçando laços com setores conservadores nos Estados Unidos e ampliando sua presença em fóruns financeiros internacionais.