O presidente Lula intensificou a ofensiva diplomática nesta quarta-feira (11) ao telefonar para o colombiano Gustavo Petro, buscando articular resistência à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Na segunda (9), Lula havia conversado com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum — país que já convive com a designação de seus cartéis como terroristas. A agenda revela uma estratégia: ouvir quem já passou pelo processo antes de chegar à mesa com Trump.
A jogada diplomática antes do encontro com Trump
As ligações fazem parte de uma estratégia de tempo: o governo quer chegar ao encontro com Trump com um dossiê detalhado de operações contra o crime organizado — incluindo a Operação Carbono Oculto, que desmantelou uma rede de lavagem do PCC no setor de combustíveis, prevista como principal argumento brasileiro na reunião.
No domingo (8), o chanceler Mauro Vieira ligou para o secretário de Estado Marco Rubio com um pedido direto: que Washington espere o encontro bilateral antes de avançar com a designação. O governo quer mostrar o que já foi feito contra as facções.
A urgência diplomática tem razão concreta: o Departamento de Estado americano já declarou publicamente que vê o PCC e o Comando Vermelho como ameaças de alcance regional — declaração que, nos bastidores do Planalto, acende o alerta sobre possíveis desdobramentos militares na América do Sul.
O debate sobre designar facções brasileiras como FTOs ganhou nova força após o ataque militar americano na Venezuela, em janeiro. Para o governo Lula, o precedente venezuelano tornou o assunto urgente.
Na conversa com Petro, Lula confirmou presença na cúpula da Celac, marcada para 21 de março em Bogotá — encontro que deve incluir debates sobre soberania regional frente à política externa americana. A reunião ocorreu no Palácio da Alvorada, com a presença do embaixador Celso Amorim.
A preocupação americana tem base em dados concretos: um levantamento do MP-SP revelou que o PCC está instalado em pelo menos 28 países, com mais de 2 mil integrantes no exterior — o que levou o Departamento de Estado a enviar assessores especiais ao Brasil para mapear a expansão internacional da facção.
Nos EUA, a designação de Organização Terrorista Estrangeira permite congelar ativos, proibir transações financeiras e até autorizar ações militares. Trump já usou o mecanismo para classificar o Tren de Aragua e seis cartéis mexicanos.
Lula pretende visitar Trump na Casa Branca — a data seria em março, mas diante da dificuldade de agendas, o encontro ainda não foi marcado. O governo brasileiro aposta na reunião como momento decisivo para convencer Washington a recuar da classificação.