O Departamento de Estado americano enviou assessores especiais do secretário Marco Rubio ao Brasil nos últimos meses para colher informações sobre a expansão internacional do Primeiro Comando da Capital.
Os emissários se reuniram pelo menos duas vezes com o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco/MP-SP, considerado referência mundial nas investigações do PCC.
Neste mês, Gakiya viaja a Boston para encontro com DEA, FBI e Departamento de Estado — desdobramento direto das consultas realizadas em Brasília e São Paulo.
PCC em 28 países, com 2.078 integrantes no exterior
Um levantamento inédito do Ministério Público de São Paulo revelou que o PCC está instalado em pelo menos 28 países, com 2.078 membros — a maioria atrás das grades no exterior. A facção expandiu o tráfico de drogas e armas e passou a usar presídios estrangeiros como bases de recrutamento e lavagem de dinheiro.
O relatório do MP-SP tem sido apresentado a embaixadas e consulados em pelo menos quatro continentes, como parte de uma estratégia de cooperação internacional no combate a crimes transnacionais.
O que mais chama atenção de autoridades brasileiras e estrangeiras é a mudança de padrão: integrantes do PCC não buscam mais apenas passagens temporárias pelo exterior, mas moradia fixa e infiltração sistemática em sistemas prisionais de outros países.
Diplomacia em campo
Em paralelo às trocas de inteligência, o governo brasileiro age nos bastidores para frear a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
O chanceler Mauro Vieira telefonou diretamente a Marco Rubio pedindo que ele não encaminhe ao Congresso americano a proposta de classificação terrorista. A urgência é real: uma vez submetido ao Parlamento, o processo tem prazo de apenas sete dias para análise.
O Departamento de Estado já declarou publicamente que vê o PCC e o CV como ameaças de alcance regional — declaração que, nos bastidores do governo Lula, acende o alerta sobre possíveis desdobramentos militares no continente.
Do ponto de vista técnico, o promotor Gakiya tem posição clara: PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas transnacionais com características de máfia — não grupos terroristas. A distinção não é apenas semântica; ela define o arcabouço jurídico aplicável e o tipo de resposta internacional cabível.
O principal argumento americano para a classificação remonta a uma audiência no Congresso dos EUA em 2018, quando a suposta aliança entre PCC e Hezbollah foi apresentada como evidência de atividade terrorista — tese que continua influenciando a política da administração Trump.
A estratégia do Planalto é convencer Trump pessoalmente de que o Brasil enfrenta o crime organizado com eficácia. Lula planeja visita oficial à Casa Branca, mas a data ainda não foi definida. O governo prepara documentação detalhada sobre operações como a Carbono Oculto, que desmantelou uma rede de lavagem de dinheiro movimentando bilhões em combustíveis adulterados.