Política

Kast toma posse no Chile e inaugura o governo mais conservador desde Pinochet

Dois ex-advogados do ditador integram o ministério; Milei aplaudiu na plateia enquanto Lula ficou de fora

O advogado José Antonio Kast assumiu nesta quarta-feira (11) a presidência do Chile em Valparaíso, tornando-se o mandatário mais conservador do país desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990.

Kast, de 60 anos, prometeu um “governo de emergência” para combater a criminalidade e a imigração irregular — as principais preocupações do eleitorado chileno — e venceu as eleições de dezembro contra a esquerdista Jeannette Jara.

Seu primeiro ato foi empossar 24 ministros, dois dos quais foram advogados pessoais de Pinochet, ditador responsável por mais de 3.200 mortos e desaparecidos.

Um governo de “emergência” à direita do espectro regional

Diante de um Congresso com maioria de direita, Kast foi empossado sob aplausos de aliados. A cerimônia reuniu líderes conservadores: Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador) e Rodrigo Paz (Bolívia), além de Christopher Landau, subsecretário de Estado dos Estados Unidos, e da opositora venezuelana María Corina Machado, laureada com o Nobel da Paz.

Após o juramento, Kast embarcou no tradicional Ford Galaxie preto conversível — presente da rainha Elizabeth II ao Chile em 1968 — e saudou apoiadores ao ar livre, sob sol intenso.

A porta-voz do governo, Mara Sedini, definiu as prioridades da nova administração: retomar o crescimento econômico e garantir a “segurança migratória”. O mandato começa com o legado da reforma constitucional fracassada que Gabriel Boric, predecessor de Kast, tentou aprovar em duas rodadas durante os últimos quatro anos.

Embora Kast tenha retratado o Chile quase como um Estado falido dominado pelo narcotráfico, os dados contradizem o discurso. A taxa de homicídios foi de 5,4 por 100 mil habitantes em 2025 — uma das mais baixas da América Latina. Mesmo assim, o avanço do Tren de Aragua e o aumento de sequestros alimentaram a narrativa de insegurança que dominou sua campanha.

A postura de Kast no cenário regional já havia se revelado dias antes da posse, quando ele se juntou a Milei, Bukele e Noboa na cúpula convocada por Trump na Flórida — coalizão anticartel que agora ganha seu mais novo integrante no governo do Chile.

Lula fora da cerimônia e a herança familiar polêmica

A ausência mais comentada nos bastidores foi a do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Ele havia confirmado presença, mas recuou na véspera após ser deliberadamente excluído da cúpula do Escudo das Américas convocada por Trump — aprofundando a tensão ideológica entre Brasil e o novo governo chileno.

Kast também carrega uma história familiar controversa. Investigações jornalísticas de 2021 revelaram que seu pai, nascido na Alemanha, foi filiado ao Partido Nazista de Adolf Hitler. O presidente contesta a narrativa e afirma que o pai foi recrutado à força pelo Exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

Católico devoto e pai de nove filhos, Kast representa, na definição do analista Rodrigo Arellano, da Universidade do Desenvolvimento, “uma direita conservadora como não se conhecia desde o retorno à democracia”, em 1990. Como gesto simbólico de independência institucional, ele renunciou à presidência do Partido Republicano ao assumir o cargo.

Com a posse de Kast, o Chile se consolida como o mais recente integrante do bloco de governos conservadores alinhados a Washington que avança na América Latina — um mapa que vai de Buenos Aires a Quito e que agora inclui Santiago.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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