O aiatolá Mojtaba Khamenei, escolhido líder supremo do Irã no último domingo (8), não apareceu em público nem fez declarações desde a nomeação — e o paradeiro do novo chefe de Estado tornou-se questão de Estado.
Nesta quarta-feira (11), o filho do presidente Masoud Pezeshkian garantiu, via Telegram, que o religioso está “sã e salvo”. Foi a primeira manifestação oficial após dias de especulações.
A explicação mais provável: ferimentos sofridos no bombardeio de 28 de fevereiro que matou seu pai, Ali Khamenei, a mãe e a esposa.
Ferimentos nas pernas, comunicação limitada
O embaixador iraniano no Chipre, Alireza Salarian, confirmou ao jornal The Guardian que Mojtaba “ficou ferido no bombardeio” e acredita que ele “está no hospital”. O The New York Times, com base em três funcionários iranianos, relatou ferimentos “principalmente nas pernas” — e que o novo líder “está em segurança em um local de alta proteção, embora com possibilidades de comunicação limitadas”.
Dois responsáveis militares israelenses, também citados pelo NYT, sugeriram que a inteligência de Israel já sabia dos ferimentos antes de Mojtaba ser designado como líder supremo — revelando o quanto Tel Aviv monitora os passos do novo chefe de Estado iraniano.
A televisão estatal do Irã apresentou Mojtaba como “veterano ferido da guerra do Ramadã”, aludindo ao conflito atual — iniciado durante o mês sagrado do jejum muçulmano —, sem dar detalhes sobre seu estado de saúde.
Rosto nos cartazes, corpo ausente das ruas
Embora invisível para a imprensa, Mojtaba está presente nas ruas de Teerã: seu rosto estampa cartazes e faixas espalhados pela cidade, segundo jornalistas da AFP. Em um deles, é retratado recebendo simbolicamente a bandeira nacional das mãos do pai, sob o olhar do fundador da república islâmica, Ruhollah Khomeini.
Mojtaba havia emergido como candidato natural à sucessão justamente por ter sobrevivido aos bombardeios de 28 de fevereiro — os mesmos ataques que mataram seu pai e sua esposa e que agora o mantêm ferido e afastado dos holofotes.
Considerado conservador e próximo à Guarda Revolucionária — o braço armado ideológico da república islâmica —, Mojtaba é apontado como um dos responsáveis pela repressão às ondas de protestos contra o regime desde 2009. Escolhido pela Assembleia de Peritos em plena guerra, com Israel bombardeando até a sede do próprio órgão durante as deliberações, Mojtaba assumiu o cargo em circunstâncias sem precedentes na história da República Islâmica.
Para o analista Emile Hokayem, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), Mojtaba “permanecerá em um bunker durante muito tempo porque viu o que aconteceu com seu pai, a esposa e sua mãe: todos mortos”.
Enquanto o novo líder permanece recluso, o poder é exercido na prática por outros dirigentes: o chefe do Conselho Superior de Segurança, Ali Larijani, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Nas ruas de Teerã, milhares de simpatizantes gritaram o nome do novo líder nos funerais de autoridades mortas nos bombardeios, realizados nesta quarta-feira (11) — demonstração de apoio popular que contrasta com a ausência total do próprio Mojtaba dos holofotes.