Quase metade dos brasileiros — 46% — avalia que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, segundo pesquisa Datafolha divulgada em março de 2026. A percepção voltou a se deteriorar em relação a dezembro, quando o índice era de 41%.
Na direção contrária, a parcela dos que acham que a economia melhorou caiu de 29% para 24%. Outros 28% afirmam que o cenário ficou estável.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Expectativas para o futuro também pioram
A deterioração não se limita à percepção do presente. Para 35% dos entrevistados, a economia vai piorar nos próximos meses — número que quase dobrou em relação a dezembro, quando era de 21%. A expectativa de melhora, por outro lado, despencou de 46% para 30% no mesmo período.
O sentimento negativo também avançou na vida financeira pessoal. Segundo o Datafolha, 33% dos brasileiros dizem que sua própria situação econômica piorou nos últimos meses — em dezembro, esse índice era de 26%. Já os que sentiram melhora pessoal caíram de 36% para 30%.
Desemprego e inflação no radar
O temor com o mercado de trabalho também cresceu: 48% dos entrevistados esperam que o desemprego aumente nos próximos meses, o maior patamar em termos nominais no atual mandato do presidente Lula. Em junho de 2025, esse índice era de 42%.
Em relação à inflação, 61% preveem alta nos preços — patamar que se mantém estável nos últimos 12 meses. Apenas 11% apostam em queda da inflação, o menor índice do período analisado.
Na mesma semana, a pesquisa Quaest chegou a números semelhantes: 48% dos brasileiros avaliam que a economia piorou nos últimos 12 meses — convergência entre institutos que indica tendência, não oscilação isolada.
Divisões religiosas, regionais e políticas
Os dados revelam percepções distintas conforme o perfil do entrevistado. Entre os evangélicos, 57% avaliam que a economia piorou — contra 41% dos católicos. A expectativa de melhora também diverge: 33% entre católicos e 23% entre evangélicos.
Regionalmente, o Nordeste concentra mais otimismo: 36% acreditam em melhora, contra 25% no Sudeste. Pretos (32%) e pardos (31%) têm expectativa maior do que brancos (26%).
O recorte político aprofunda o contraste: dos eleitores que pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, 77% dizem que a economia piorou — contra apenas 14% dos que pretendem votar em Lula. Na expectativa futura, 51% do eleitorado petista preveem melhora, frente a 14% do bolsonarista.
O pessimismo econômico tem peso político: na mesma rodada do Datafolha, a rejeição ao governo subiu a 40% e a desaprovação pessoal a Lula superou a aprovação pela primeira vez no terceiro mandato.
Reforma do IR sem impacto perceptível
A reforma do Imposto de Renda, que ampliou a isenção para quem ganha até R$ 5.000, ainda não gerou impacto claro na percepção dos beneficiados. Na faixa de dois a cinco salários mínimos — grupo dos novos isentos —, 32% relataram melhora na situação pessoal, índice próximo aos 28% de quem já era isento anteriormente.
No mesmo levantamento, o Datafolha mapeou as prioridades dos brasileiros: saúde (21%) e violência (19%) lideram as preocupações, com a economia em terceiro lugar (11%) — dado que contextualiza como o pessimismo econômico se encaixa num quadro mais amplo de insatisfação.