O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que fundos ligados a Daniel Vorcaro transferiram R$ 707,1 milhões em ativos do Banco Master para a Titan Capital Holding, offshore sediada nas Ilhas Cayman da qual o banqueiro é sócio.
As três operações ocorreram em 2025. O relatório do Coaf, baseado em dados bancários, foi divulgado pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (11).
O Banco Central já decretou a indisponibilidade dos bens da Titan, bloqueando qualquer venda, doação ou transferência de ativos da empresa.
Três transferências e uma teia societária
A Titan Capital Holding foi fundada em 12 de setembro de 2024 nas Ilhas Cayman, um dos principais paraísos fiscais do mundo. Além de Vorcaro, integram o quadro societário da offshore Angelo Antonio Ribeiro Da Silva, ex-integrante do grupo Master, e Luiz Antonio Bull, ex-diretor do banco.
As três operações identificadas pelo Coaf somam R$ 707,1 milhões repassados ao longo de 2025, saídos de fundos vinculados ao banqueiro.
A Titan ainda transferiu, em 14 de julho de 2025, R$ 315 milhões para o Fundo Tessália — relacionado ao Master e acionista do grupo médico Oncoclínicas. Após o escândalo vir à tona, a Oncoclínicas revelou ter R$ 433 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco.
O esquema por trás das transferências está no centro da Operação Compliance Zero: investigações da Polícia Federal apontam que o Master fabricou carteiras de crédito falsas e emitiu CDBs sem lastro, gerando um rombo estimado em R$ 12 bilhões que culminou na liquidação do banco pelo Banco Central.
Sequestro bilionário e Vorcaro preso
O bloqueio dos ativos da Titan pelo Banco Central veio após o STF já ter determinado o sequestro de até R$ 22 bilhões em bens do grupo — incluindo a descoberta de que servidores do próprio BC repassavam orientações sigilosas de supervisão bancária a Vorcaro. Leia mais sobre as decisões do STF no caso Master
O banqueiro está preso preventivamente. A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, apura fraudes bilionárias com títulos podres e demais irregularidades no banco.
Para além do colapso do Master, o escândalo expõe a vulnerabilidade de instrumentos como os CDBs — títulos de renda fixa emitidos por bancos para captar recursos — quando lastreados em créditos fictícios. Investidores de pessoas físicas a fundos institucionais, como o acionista Oncoclínicas, estão entre os afetados pelo rombo.