O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorização para receber na prisão a visita de Darren Beattie, assessor sênior de Donald Trump responsável pelas políticas de Washington em relação ao Brasil.
Nomeado no fim de fevereiro, Beattie já provocou um incidente diplomático ao chamar Moraes de “principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro”.
No site do Departamento de Estado, Beattie é descrito como “a principal autoridade para Diplomacia Pública” e “defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática”. Além do Brasil, acumula o cargo de chefe interino do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais e a presidência do Instituto de Paz dos EUA, entidade financiada pelo Congresso americano para atuar na resolução de conflitos globais.
Trajetória polêmica
Beattie atuou no primeiro mandato de Trump como redator de discursos da Casa Branca, mas foi demitido em 2018 por ter participado de um evento frequentado por nacionalistas brancos.
Em 2021, publicou no X: “Imagine ter respeito pelo Departamento de Estado” — o mesmo órgão onde hoje trabalha. Durante a campanha de 2024, sugeriu que a comunidade de inteligência dos EUA poderia estar por trás de tentativas de assassinato contra Trump.
Beattie ainda foi acusado de racismo e sexismo após declarar nas redes que “homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem”.
Em julho de 2025, os comentários de Beattie sobre Moraes forçaram o Itamaraty a convocar o principal diplomata americano em Brasília para esclarecimentos — um dos episódios mais tensos da crise entre os dois países em torno do julgamento do ex-presidente.
Na sequência, os EUA anunciaram sanções contra o próprio Moraes, com autoridades de Trump acusando-o de promover detenções preventivas arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão nos casos ligados à trama golpista de 2022. Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Beattie pelas iniciativas.
O mesmo ministro que negou a prisão domiciliar de Bolsonaro — após laudo atestar 144 atendimentos médicos em 39 dias — é quem agora decide se autoriza a visita do assessor de Trump ao ex-presidente no Papudinha.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por ter tramado um golpe para reverter o resultado das eleições de 2022. Seu filho Flávio é apontado como forte candidato na eleição presidencial de outubro.