O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (9) o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para reuniões de trabalho no Palácio do Planalto.
Durante o encontro, Lula alertou que países despreparados correm risco de ser invadidos e defendeu que Brasil e África do Sul explorem juntos os minerais críticos essenciais à transição energética e digital.
A visita faz parte da estratégia brasileira de diversificar parcerias comerciais após o tarifaço norte-americano.
Lula foi categórico: o Brasil não repetirá com as terras raras o que fez com o minério de ferro. “A gente vendeu o minério e compra o produto acabado pagando cem vezes mais caro. Agora, a parceria tem que ser feita para o processo de transformação ser feito aqui no Brasil”, afirmou.
O presidente revelou que o país conhece apenas 30% do potencial mineral do seu território e propôs um levantamento conjunto com a África do Sul, além da criação de empresas conjuntas para a exploração dos recursos. “Precisamos de um levantamento concreto do que a África do Sul tem de minerais críticos e de terras raras”, disse.
Relação estagnada há duas décadas
A corrente de comércio bilateral somou US$ 2,2 bilhões em 2025, com exportações brasileiras de US$ 1,5 bilhão — volume que Lula considerou incompatível com o potencial das duas economias. “Não existe explicação para não termos um comércio acima de US$ 10 bilhões”, afirmou.
Os acordos assinados cobrem turismo, comércio, investimento e cultura. Ramaphosa chegou a Brasília acompanhado de uma comitiva de empresários sul-africanos.
Além dos minerais, Lula reforçou a posição brasileira pela paz e criticou a guerra no Oriente Médio. A retórica contra o rearmamento global não é novidade no discurso presidencial: dias antes, na conferência da FAO, Lula já havia denunciado que os cerca de US$ 2 trilhões gastos em conflitos em 2025 poderiam ter alimentado os 630 milhões de pessoas que passaram fome no mundo.
A visita de Ramaphosa foi proposta por Lula durante reunião bilateral em Joanesburgo, quando o presidente participava da cúpula do G20 no continente africano. O sul-africano é descrito por Lula como um dos poucos líderes que pode chamar de “companheiro” — alguém que, como ele, conhece o chão de fábrica.
Ofensiva por novos mercados
O encontro com o presidente sul-africano integra a estratégia de diversificação comercial do Brasil diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Em fevereiro, Lula visitou a Índia e a Coreia do Sul com o mesmo objetivo.
Após reunião fechada e declaração conjunta à imprensa, Lula ofereceu almoço a Ramaphosa no Palácio do Itamaraty. À tarde, estava previsto encontro com empresários brasileiros e africanos — sinal do foco pragmático da visita na geração de negócios concretos.
“Já levaram nossa prata, todo o nosso ouro, todo o diamante. O que mais querem levar? Quando é que a gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza pra nós?”, questionou Lula durante a declaração à imprensa.