O Irã rejeitou qualquer possibilidade de cessar-fogo nesta segunda-feira (9) e deixou claro que apenas ‘defesa e retaliação’ orientam a estratégia de Teerã na guerra contra os Estados Unidos e Israel.
O anúncio partiu do porta-voz Baghaei no primeiro pronunciamento público do governo iraniano após a eleição de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país.
A declaração marca uma continuidade de postura mesmo sob nova liderança. Mojtaba Khamenei substituiu seu pai, Ali Khamenei, morto em bombardeios americanos e israelenses em 28 de fevereiro — o ataque que deflagrou o conflito no Oriente Médio.
No 10º dia de guerra, Baghaei também atribuiu motivações econômicas à ofensiva americana. Segundo ele, não há dúvidas de que Washington mira nos recursos petrolíferos iranianos e busca enfraquecer e dividir o país.
O porta-voz estendeu as acusações à Europa: países como a França teriam criado as condições que viabilizaram a ofensiva militar conjunta dos EUA e de Israel contra o Irã.
Mojtaba Khamenei, eleito pela Assembleia de Especialistas, é descrito como linha-dura com laços estreitos com a Guarda Revolucionária — perfil que ajuda a explicar a postura de confronto adotada por Teerã desde a sua posse.
Sob o comando do novo líder supremo, o Irã manteve os ataques aéreos contra países do Golfo Pérsico que abrigam bases militares americanas. O conflito, iniciado com a morte de Ali Khamenei, já se espalhou por diversas nações da região, assumindo proporções de confronto regional amplo.
A escolha de Mojtaba ganha contorno simbólico diante do histórico recente: Trump havia declarado publicamente ser inaceitável a eleição do filho de Khamenei como líder supremo — exatamente o candidato confirmado pelos clérigos iranianos. A resposta desafiadora de Teerã reforça a leitura de que o novo governo não pretende recuar.
Com um novo líder de perfil intransigente e um conflito que se aprofunda a cada dia, o cenário aponta para prolongamento do confronto no Oriente Médio, com poucas perspectivas de abertura diplomática no curto prazo.