Donald Trump descartou, ao menos no curto prazo, o envio de tropas americanas ao Irã. Em entrevista exclusiva ao New York Post nesta segunda-feira (9), o presidente dos Estados Unidos afirmou estar “longe” de ordenar uma missão terrestre e admitiu que seu governo ainda não chegou a um consenso sobre como agir.
Ao mesmo tempo, Trump não escondeu o desconforto com a ascensão de Mojtaba Khamenei ao posto de líder supremo iraniano, declarando que “não está feliz” com a escolha — e recusando-se a comentar mais durante a entrevista.
A entrevista ao New York Post aconteceu um dia após Teerã formalizar a sucessão de Ali Khamenei — morto no primeiro dia dos ataques conjuntos de EUA e Israel à capital iraniana. Seu filho Mojtaba foi validado como substituto e assumiu o cargo de líder supremo do regime.
A questão central girou em torno da proteção das instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio do país. Questionado sobre eventual envio de tropas com esse objetivo, Trump reconheceu a divisão dentro de seu governo, sem anunciar nenhuma decisão concreta.
Escalada em quatro dias
No domingo (8), antes de Teerã formalizar a escolha, Trump já havia declarado que o próximo líder supremo do Irã “não vai durar muito” caso não contasse com aprovação de Washington — sinal de que o desconforto com Mojtaba era antecipado pela Casa Branca.
Na quinta-feira (5), Trump foi ainda mais assertivo: declarou ao Axios que pretendia participar pessoalmente do processo de sucessão iraniana e classificou a hipótese de Mojtaba Khamenei no cargo como “inaceitável” — declaração pela qual o chanceler iraniano cobrou retratação pública.
A resposta de Teerã veio pelo chanceler Abbas Araghchi, em entrevista a uma emissora americana. O ministro das Relações Exteriores foi direto: cabe ao povo iraniano — não ao presidente dos Estados Unidos — escolher o novo líder do país.
Araghchi também exigiu um pedido de desculpas público de Trump pelo que classificou como responsabilidade americana pelo início da guerra no Oriente Médio.
A sequência de declarações — do veto explícito ao recuo parcial em apenas quatro dias — evidencia a imprevisibilidade da postura americana diante de um dos momentos mais delicados da política iraniana nas últimas décadas.