Quatro dos maiores produtores mundiais reduziram sua produção conjunta de petróleo em até 6,7 milhões de barris por dia — o equivalente a 6% de toda a oferta global.
A Bloomberg divulgou nesta terça-feira (10) que Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait realizaram cortes significativos em sua produção diária.
A causa é o bloqueio do Estreito de Ormuz, imposto pelo Irã em meio à guerra contra os Estados Unidos e Israel, que inviabilizou o escoamento do petróleo pela região.
Estreito bloqueado, produção paralisada
O Estreito de Ormuz, na saída do Golfo Pérsico, concentra cerca de 20% do petróleo mundial. Desde que o Irã fechou o corredor marítimo, o escoamento ficou comprometido e os países viram seus volumes de exportação despencarem.
O fechamento teve início em 28 de fevereiro, quando Teerã anunciou o bloqueio como retaliação à morte do líder supremo Ali Khamenei em ataques americanos e israelenses — e desde então o fluxo de petroleiros praticamente cessou.
Com cerca de 300 navios parados aguardando condições de segurança para cruzar a região, o petróleo já acumulava alta de quase 30% em uma semana, com analistas projetando cotações próximas de US$ 100 caso a crise se prolongue. Veja a análise completa da disparada dos preços.
Capacidade produtiva dos quatro países
A Arábia Saudita lidera com 9 a 10 milhões de barris por dia, seguida pelo Iraque (até 4,5 milhões), Emirados Árabes Unidos (3,5 milhões) e Kuwait (até 2,8 milhões). O corte conjunto de 6,7 milhões de barris diários representa uma pressão expressiva sobre o mercado global de energia.
Potências buscam saída para o bloqueio
O impacto nos preços do petróleo virou preocupação mundial. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou avaliar tomar o controle do Estreito de Ormuz. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, disse estudar uma “operação defensiva” para escoltar petroleiros pelo estreito.
Com a commodity disparando nos mercados internacionais, países buscam alternativas para reabrir o corredor estratégico do Golfo Pérsico.
Analistas alertam que os efeitos sobre o abastecimento global devem se estender por meses — mesmo que o conflito termine logo, a retomada da produção pode levar semanas dependendo do estado dos campos atingidos. Leia a análise sobre os meses de combustível caro que se aproximam.