Política

Chanceler do Irã rompe com diálogo e chama guerra de ‘fracasso’ dos EUA

Abbas Araghchi descarta negociações com Washington e acusa americanos de atacar o Irã após promessas de paz

O chanceler iraniano Abbas Araghchi declarou que qualquer negociação com Washington está fora de cogitação e qualificou a estratégia militar dos EUA e Israel como um “fracasso” completo.

Em entrevista ao PBS NewsHour, o principal telejornal da rede pública americana, Araghchi disse que a experiência nas rodadas de negociações nucleares foi “muito amarga” — tornando inviável qualquer diálogo futuro.

O ministro acusou EUA e Israel de não ter objetivos definidos e de lançar “ataques indiscriminados contra áreas residenciais” enquanto o conflito segue sem perspectiva de encerramento.

“O Plano A foi um fracasso, e agora eles estão tentando outros planos, mas todos eles também falharam”, afirmou Araghchi. Segundo ele, ao atacar a infraestrutura energética do Irã, EUA e Israel provocaram alta nos preços internacionais do petróleo — resultado oposto ao planejado.

A recusa em negociar tem raízes em episódios anteriores ao conflito. Em entrevista à NBC, Araghchi já havia acusado Washington de trair a diplomacia ao lançar a ofensiva durante as próprias rodadas de negociações nucleares — o que o chanceler define agora como “experiência muito amarga”. “Eles nos prometeram que não tinham nenhuma intenção de nos atacar. Mesmo assim, decidiram nos atacar”, declarou.

Irã descarta cessar-fogo e eleva ameaças

O porta-voz do governo Esmail Baghaei reforçou a posição em entrevista coletiva: “não faz sentido falar de nada além de defesa e retaliação contra os inimigos”, descartando qualquer negociação de cessar-fogo.

Baghaei também acusou Washington de perseguir os recursos petrolíferos iranianos. Segundo ele, “não há dúvidas” de que os EUA tentam enfraquecer e dividir o país para acessar seu petróleo — o que reforça a narrativa de motivação econômica por trás do conflito.

Em paralelo, o presidente Donald Trump ameaçou atacar o Irã “vinte vezes mais forte” caso Teerã bloqueie o Estreito de Ormuz. Antes, ele havia dito que os conflitos terminariam “em breve” — declaração imediatamente rebatida pela Guarda Revolucionária Islâmica, que afirmou ser o Irã quem decidirá quando a guerra termina.

No front militar, a Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária anunciou aumento na intensidade e frequência dos lançamentos de mísseis. O comandante Majid Mousavi declarou que nenhum projétil será disparado com ogiva inferior a uma tonelada — sinalização clara de escalada.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram novos lançamentos de mísseis iranianos contra o território israelense ao longo do dia. Em resposta, militares israelenses atacaram seis bases aéreas do Irã e destruíram diversas aeronaves da Guarda Revolucionária.

A leitura de Araghchi de que EUA e Israel “estão perdidos” se choca diretamente com a narrativa americana: Pete Hegseth declarou no Pentágono vitórias “históricas” e prometeu novas ondas de bombardeios — visões radicalmente opostas sobre o mesmo conflito.

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