Política

Teerã enterra líderes da guerra enquanto Irã ataca o Estreito de Ormuz

Maior concentração pública na capital iraniana desde o início do conflito reuniu multidão que desafiou bombardeios contínuos

Milhares de iranianos foram às ruas de Teerã nesta quarta-feira (11) para o funeral coletivo de autoridades mortas em ataques americanos e israelenses — o maior ajuntamento público na capital desde o início da guerra.

A procissão percorreu o centro da cidade enquanto os bombardeios continuavam. Na praça Enghelab, a multidão contrastava com avenidas vizinhas completamente desertas.

No mesmo dia, o Irã atacou navios no Estreito de Ormuz e declarou estar pronto para uma guerra longa, capaz de “destruir” a economia mundial.

Entre os homenageados estavam as principais figuras militares e de segurança do regime. Ali Khamenei, o aiatolá que liderou o Irã por 36 anos, foi morto no primeiro dia do conflito — e sua imagem apareceu nos lenços pretos carregados por oficiais durante a cerimônia.

Também morreram em ataques simultâneos o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Moussavi; o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour; o ministro da Defesa, Aziz Nassirzadeh; e o assessor de segurança Ali Shamkhani.

Procissão sob fortes medidas de segurança

Caminhões com os caixões formaram uma longa procissão escoltada por forças especiais pelo centro de Teerã. Um jornalista da AFP registrou, entre os esquifes, um pequeno caixão com a fotografia de um bebê de 2 meses — vítima dos ataques.

Na multidão, mulheres vestindo chadores pretos carregavam bandeiras e flores. Adolescentes exibiam fotos de Khamenei e de seu filho Mojtaba Khamenei, ferido no mesmo ataque que matou seu pai, sua mãe e sua esposa.

A morte de Khamenei foi classificada pelo chanceler iraniano como um “crime religioso” com promessa de “sérias consequências” — promessa que ganhou forma nas ruas de Teerã nesta quarta-feira.

Sucessão e pressão americana

Na multidão, adolescentes erguiam fotos de Mojtaba Khamenei — filho ferido do aiatolá e apontado como herdeiro provável do poder supremo. A Assembleia de Especialistas já havia declarado estar “perto de uma decisão” sobre quem assumirá o posto deixado pelo aiatolá morto.

O funeral aconteceu no mesmo dia em que os Estados Unidos exigiram a rendição incondicional do Irã, sem abrir espaço para negociação. Teerã respondeu com ataques a navios no Estreito de Ormuz e reafirmou estar preparada para sustentar o conflito por tempo indeterminado. Veja as exigências americanas e a resposta iraniana.

A ameaça de que a guerra “destruirá” a economia mundial ecoou enquanto a cidade enterrava seus mortos — sinal de que o regime não recuará do conflito mesmo diante do luto coletivo.

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