Uma planilha de despesas obtida pela imprensa revela o custo total da festa privada organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em Taormina, na Sicília, em setembro de 2023: R$ 222 milhões — equivalente a US$ 42,4 milhões em valores atuais.
O evento reuniu artistas de renome internacional, alocou sete helicópteros para os convidados e utilizou dois dos cenários históricos mais emblemáticos da cidade italiana: o Teatro Greco e o Castello degli Schiavi.
As revelações chegam ao público dias após Vorcaro ser preso, em 4 de março de 2026, em São Paulo, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes no Banco Master.
Os cachês dos artistas
A atração mais cara foi o Coldplay, com cachê de R$ 59,7 milhões — sozinho, o show da banda britânica consumiu mais de um quarto do orçamento total. Michael Bublé recebeu R$ 10,5 milhões e The Strokes, R$ 10 milhões.
O tenor italiano Andrea Bocelli embolsou R$ 5,1 milhões. Seal e o DJ David Guetta receberam R$ 4,9 milhões cada. A programação incluiu ainda Black Coffee (R$ 1,9 milhão), Sofi Tukker (R$ 1,3 milhão), Martin Solveig (R$ 633 mil) e o DJ brasileiro DJ Kung (R$ 610 mil). Custos técnicos e atrações extras somaram outros R$ 9,5 milhões ao longo dos quatro dias.
Produção, locações e hospedagem
A maior fatia do orçamento foi destinada à produção e montagem da estrutura dos shows: R$ 76,5 milhões. A organização geral, conduzida por agência internacional de eventos, custou R$ 2 milhões adicionais, enquanto inspeções técnicas e planejamento prévio somaram R$ 970 mil.
Os convidados foram hospedados em três hotéis de alto padrão de Taormina. O Four Seasons San Domenico Palace — cenário da segunda temporada de The White Lotus — custou R$ 9,3 milhões. O Belmond Grand Hotel Timeo saiu por R$ 5,4 milhões e o Belmond Villa Sant’Andrea, por R$ 5,3 milhões, totalizando R$ 19,9 milhões em hospedagem.
O Teatro Greco de Taormina, anfiteatro da Antiguidade, foi alugado por R$ 3,3 milhões. O Castello degli Schiavi — palácio do século XVIII eternizado pelas filmagens de O Poderoso Chefão — custou R$ 2,4 milhões. Serviços de hospitalidade, transporte e recepção de convidados somaram R$ 2,1 milhões, e a hospedagem da equipe técnica, R$ 786 mil.
O contexto das investigações
A divulgação das planilhas coincide com o novo capítulo judicial do banqueiro: Vorcaro foi preso preventivamente na terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação que mapeou um esquema de corrupção envolvendo servidores do Banco Central e uso de estrutura paralela de espionagem para intimidar adversários e obstruir a Justiça. Em 6 de março, ele foi transferido para a penitenciária federal de Brasília.
A dimensão financeira do caso vai além da festa. A PF identificou R$ 2,2 bilhões supostamente ocultados na conta do pai de Vorcaro — montante que motivou novo pedido de prisão ao STF e é comparado ao rombo de R$ 40 bilhões atribuído ao Banco Master.
Os R$ 222 milhões gastos em quatro dias de celebração privada na Sicília tornam-se, nesse contexto, um retrato concreto do padrão de vida sustentado pelo grupo investigado — e tendem a se tornar peça central das discussões sobre a origem dos recursos movimentados fora dos registros oficiais.