O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (6) que não se importa se o próximo governo iraniano será democrático — só importa que “trate bem” os Estados Unidos e Israel.
A fala ocorre no 7º dia do conflito entre EUA, Israel e Irã, iniciado após o bombardeio que matou o líder supremo Ali Khamenei em Teerã no sábado passado. Mais cedo no mesmo dia, Trump exigiu a “rendição incondicional” do Irã e descartou qualquer negociação.
Na quarta-feira, a Assembleia dos Especialistas — composta por 88 aiatolás reunidos sob bombardeios — declarou estar perto de uma decisão sobre o nome do próximo líder supremo do Irã.
Trump não esconde a intenção de interferir no processo. Na quinta-feira, o presidente afirmou ao site Axios que precisa se envolver pessoalmente na escolha e vetou Mojtaba Khamenei — filho do aiatolá morto — como candidato aceitável para Washington. Na véspera, Trump já havia exigido voz na sucessão e vetado o filho de Khamenei como sucessor.
As declarações levantaram suspeitas sobre a real intenção da ofensiva: não apenas uma guerra militar, mas uma tentativa de forçar uma mudança de regime em Teerã.
Nova fase da guerra
Na quinta-feira (5), EUA e Israel anunciaram uma “nova fase” do conflito, com aumento drástico do poder de fogo e foco em bombardeios à infraestrutura do regime iraniano.
O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA (Centcom), informou que as forças americanas destruíram mais de 200 alvos no Irã em 72 horas — incluindo 30 navios de guerra e um navio porta-drones.
O secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, confirmou que os ataques da nova fase serão “mais devastadores” e terão como alvo direto a infraestrutura do governo dos aiatolás.
O almirante Dan Caine, comandante do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, acrescentou que serão utilizadas bombas gravitacionais de alta precisão com ogivas de 225 kg, 450 kg e 900 kg nos novos bombardeios.
Sem qualquer sinal de abertura diplomática, o conflito completa uma semana no sábado. Trump descartou negociações e manteve a exigência de rendição incondicional — postura que, somada às declarações sobre o futuro político do Irã, consolida a leitura de que Washington busca reconfigurar o poder em Teerã além do campo de batalha.