Pablo Marçal se filiou ao União Brasil nesta sexta-feira (6) em São Paulo e declarou estar “à disposição para servir” ao partido nas eleições de outubro, inclusive como candidato. A filiação ocorre enquanto o ex-coach responde por condenações à inelegibilidade até 2032 na Justiça Eleitoral.
No mesmo evento, Marçal pediu perdão publicamente ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pelos ataques trocados durante a campanha à prefeitura em 2024.
Inelegível, mas disposto a candidatar
Marçal foi condenado em três processos na Justiça Eleitoral, mas chegou a acordo em um deles. Nas outras duas ações ainda há espaço para recorrer. A principal condenação é por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2024 — o ex-coach foi multado em R$ 420 mil por descumprir ordem judicial.
Essa ação já foi julgada em segunda instância pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e aguarda recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pela Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010), a condenação por órgão colegiado em 2ª instância basta para declarar a inelegibilidade por oito anos, independentemente de recursos pendentes.
Marçal, no entanto, contesta a condição. “Eu não estou inelegível. Como não chegou ao último estágio judiciário, não é transitado em julgado, não existe inelegibilidade”, afirmou. O empresário disse estar “tranquilo” e “pronto pra servir”.
Ao lado dos presidentes da Federação União Progressista, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, Marçal abriu mão do protagonismo: “Se vocês falarem que você não sai candidato, fica registrado que não vou sair. Eu vou servir todo mundo”, declarou durante o evento.
Votos como ativo político
Sem cargo garantido, Marçal aposta em seu capital eleitoral como moeda de troca dentro do partido. O ex-coach obteve 1,7 milhão de votos na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2024 — resultado expressivo para quem não avançou ao segundo turno, sendo superado por Nunes e por Guilherme Boulos (PSOL).
“Trazer meu ativo de 1 milhão, 719 mil votos que eu tive em São Paulo e colocar à disposição deles”, declarou em coletiva, sinalizando disposição de mobilizar sua base para o partido nas eleições de outubro.
Acordos e pedidos de perdão
A filiação foi marcada por acenos de reconciliação. Além do pedido público de perdão a Nunes, Marçal assinou acordo com o apresentador José Luiz Datena (PSDB) para encerrar processos mútuos — incluindo o episódio da cadeirada durante debate na TV Cultura, em setembro de 2024.
Na Justiça Comum, o ex-coach foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização ao deputado Guilherme Boulos (PSOL) por divulgação de laudo falso durante a campanha. Na Justiça Eleitoral, ambos firmaram acordo no TRE-SP para suspender a ação por dois anos — mas Marçal ainda pode ser condenado à inelegibilidade após a retomada do processo.