O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou à namorada Martha Graeff, em abril de 2024, que estava “sofrendo uma extorsão” em Brasília — sem revelar a identidade do extorsionário.
O diálogo, datado de 9 de abril, integra documentos reunidos pela CPMI do INSS no Senado a partir de relatórios entregues pela Polícia Federal.
Vorcaro foi preso em 4 de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga lavagem de dinheiro, fraude processual e obstrução de justiça.
O diálogo com a namorada
Nos documentos analisados pela CPMI do INSS, o nome de Vorcaro aparece com a abreviação DV. No trecho de 9 de abril de 2024, o banqueiro inicia a conversa afirmando que “hoje foi um dia péssimo”. Quando Martha Graeff pergunta o motivo, ele responde que estava “sofrendo uma extorsão bem chata” — sem revelar quem seria o extorsionário.
“Difícil me abalar e jogar pra baixo”, escreveu Vorcaro na sequência, encerrando o assunto com um “tá tudo bem”, em aparente tentativa de tranquilizar a namorada.
Prisão e investigação
A prisão ocorreu por volta das 6h do dia 4 de março, quando Vorcaro foi levado à Superintendência da PF em São Paulo. Junto a ele, foram detidos seu cunhado Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão Moraes — apelidado de “Sicário” — e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
O ministro do STF André Mendonça, relator do caso desde fevereiro após a saída de Dias Toffoli, afirmou que Vorcaro chefiava uma espécie de milícia privada que monitorava autoridades e perseguia jornalistas.
As mensagens foram encontradas no celular do banqueiro, apreendido em novembro de 2025. Segundo os investigadores, o grupo teria se infiltrado no Banco Central: os servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana teriam recebido propina para repassar informações privilegiadas a Vorcaro.
As mensagens sobre a suposta extorsão integram o mesmo celular apreendido em novembro de 2025 que também revelou ordens de Vorcaro para agredir fisicamente um jornalista e monitorar servidores do Banco Central.
A suposta extorsão relatada à namorada se insere num esquema mais amplo identificado pela PF como “A Turma” — estrutura que monitorava adversários, invadia sistemas sigilosos e havia cooptado dois servidores de alto escalão do Banco Central.
O nome da operação — Compliance Zero — é referência direta à ausência de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Após a prisão, a defesa de Vorcaro acionou o STF pedindo acesso às provas que motivaram a preventiva, alegando não ter tido acesso prévio ao material investigativo que inclui as mensagens agora divulgadas pela CPMI do INSS.