A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal marcou para 13 de março a análise da decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Vorcaro foi detido pela Polícia Federal em São Paulo nesta quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero — investigação sobre fraudes financeiras bilionárias que incluem lavagem de dinheiro, corrupção e atuação de organização criminosa.
Operação com bloqueio bilionário e quatro prisões preventivas
A Polícia Federal cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. Todos foram autorizados por Mendonça, que assumiu a relatoria das investigações sobre o Banco Master no mês passado — tornando esta a primeira operação sob sua condução no caso.
Vorcaro foi levado à Superintendência da PF na capital paulista. O esquema investigado envolve a venda de títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro, corrupção e atuação criminosa organizada.
A ordem do ministro também determinou o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, para impedir a movimentação de ativos suspeitos enquanto as investigações avançam.
A base probatória que fundamentou a ordem de Mendonça incluiu uma sindicância interna aberta pelo próprio Banco Central, que resultou no afastamento de dois supervisores do Desup acusados de agir em favor do banqueiro — conforme o Tropiquim apurou.
Toffoli no colegiado e a questão do impedimento
O ministro Dias Toffoli, ex-relator do caso Master, integra a Segunda Turma e participará da análise marcada para o dia 13. Interlocutores do STF afirmam que a Corte não reconheceu suspeição ou impedimento automático para Toffoli atuar — cabendo ao próprio ministro, num primeiro momento, fazer essa avaliação.
Na véspera de ordenar a prisão, o mesmo Mendonça havia tornado facultativa a presença de Vorcaro na CPI do Crime Organizado — decisão que agora também pode ser avaliada pela Segunda Turma, como o Tropiquim havia noticiado.
A investigação sobre o Banco Master representa uma das mais amplas ações da PF no sistema financeiro brasileiro, com desdobramentos que alcançam o próprio órgão regulador do setor.