O empresário e pastor evangélico Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero.
A operação apura um esquema bilionário que inclui a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. É a segunda vez que Zettel é detido: em janeiro, foi interceptado no Aeroporto de Guarulhos quando se preparava para embarcar rumo a Dubai.
Quem é Fabiano Zettel
Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, fundo de private equity voltado para negócios de frutas e suplementos fitness. Também acumula histórico em redes de alimentos e academia de luxo.
Formado em direito, ele exerceu cargos societários em empresas ligadas a Vorcaro — entre elas a Super Empreendimentos, compradora de um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília, descrito como um “hub” de negócios e investimentos do grupo.
Doações milionárias a Bolsonaro e Tarcísio em 2022
Nas eleições de 2022, Zettel figurou como o maior doador individual das campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Bolsonaro recebeu R$ 3 milhões; Tarcísio, R$ 2 milhões.
A prisão de Zettel ocorreu na mesma manhã em que Daniel Vorcaro, fundador e controlador do Banco Master, também foi detido pela PF na terceira fase da Operação Compliance Zero — que apura esquema com bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens.
Investigação e alcance da operação
Além de Vorcaro e Zettel, a terceira fase cumpriu dois outros mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.
Foram determinados afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões — medida para preservar ativos potencialmente vinculados às práticas ilícitas apuradas pelo STF.
A PF aponta crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos praticados por organização criminosa. O nome Compliance Zero faz referência à ausência de controles internos nas instituições investigadas.
A primeira prisão de Zettel, em janeiro, foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli para que os agentes pudessem apreender seu celular, no momento em que embarcava para os Emirados Árabes Unidos.
Zettel havia sido convocado para depor na CPI do Crime Organizado junto com Vorcaro, mas sua defesa obteve habeas corpus para desobrigá-lo a comparecer — no mesmo dia em que a prisão preventiva foi decretada.