A França vai enviar veículos blindados de transporte e reforçar o apoio operacional e logístico às Forças Armadas do Líbano, anunciou o presidente Emmanuel Macron nesta quinta-feira (5).
A decisão ocorre enquanto o Líbano se aproxima perigosamente de um conflito ampliado, impulsionado por ofensivas do Hezbollah e respostas militares israelenses na fronteira.
Paris também confirmou o envio imediato de ajuda humanitária — toneladas de medicamentos e materiais de abrigo — para civis deslocados no sul do país.
Diplomacia paralela ao envio militar
Antes de anunciar os blindados, Macron conduziu conversas com o presidente dos EUA, Donald Trump, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e as mais altas autoridades libanesas, buscando um plano para encerrar as operações militares na região.
Em declaração pública, o presidente francês foi direto: “O Hezbollah deve cessar imediatamente seus ataques contra Israel”, e, em contrapartida, Israel “deve abster-se de qualquer intervenção terrestre ou operação em larga escala em território libanês”.
Macron também exigiu que o grupo xiita renuncie ao armamento e demonstre “que não é uma milícia que recebe ordens do exterior”, permitindo que os libaneses se unam para preservar o país.
A ofensiva que Macron pediu a Netanyahu para cessar incluiu, um dia antes, bombardeios a um prédio residencial em Baalbek e a um hotel em área predominantemente cristã de Beirute.
Autoridades libanesas assumem compromisso
Em resposta ao esforço diplomático francês, autoridades libanesas se comprometeram a assumir o controle das posições hoje ocupadas pelo Hezbollah e a responsabilidade total pela segurança em todo o território nacional — passo considerado fundamental para qualquer acordo de cessar-fogo.
Ajuda humanitária e missão da ONU
Além dos blindados, a França confirmou o despacho imediato de toneladas de medicamentos e soluções de abrigo para dezenas de milhares de civis que fogem do sul do Líbano.
A decisão de Macron ocorre enquanto Beirute vive fuga em massa — mais de 100 mortos desde o início da semana, com alertas de evacuação israelenses e o Hezbollah declarando que não irá se render.
O contingente francês integrado à Força das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) permanece no sul do país, dando continuidade à sua missão de monitoramento da fronteira.
A França, que já liderava o esforço de repatriação com cerca de 400 mil cidadãos retidos no Oriente Médio, amplia agora seu envolvimento direto com o envio de blindados ao Exército libanês, sinalizando um reposicionamento estratégico de Paris na crise regional.