Reino Unido, França e Grécia deslocaram navios de guerra, aeronaves e sistemas antidrones para a costa do Chipre, no leste do Mar Mediterrâneo, após ao menos três ataques de drones contra a ilha europeia nos últimos dias.
Um dos projéteis identificados era um drone Shahed iraniano, que atingiu uma base militar britânica na ilha. Outro foi abatido próximo ao aeroporto internacional. A mobilização foi anunciada entre terça e quarta-feira (4).
O que cada país enviou
As fragatas gregas foram as primeiras a chegar, atracando na costa cipriota na manhã de quarta-feira. No mesmo dia, caças F-16 gregos interceptaram “um objeto suspeito” próximo a uma base aérea local, conforme relatou a Reuters.
Os equipamentos militares britânicos deixaram suas bases também na quarta, com o governo do Reino Unido classificando de “volátil” a situação de segurança internacional no Oriente Médio.
A França, além de contribuir com o reforço na costa cipriota, informou que duas de suas bases militares no Oriente Médio foram alvos de ataques recentes.
A Alemanha declarou estar “pronta” para ajudar na defesa do Chipre, mas não havia confirmado nenhum envio de efetivos à região até o fechamento desta edição.
Chipre na linha de fogo
Membro da União Europeia, o Chipre registrou ao menos três incidentes distintos com drones de ataque nos últimos dias. As autoridades cipriotas identificaram que o projétil que atingiu a base britânica era um Shahed, modelo fabricado pelo Irã amplamente utilizado em conflitos regionais.
A escalada que hoje leva fragatas e caças ao Mediterrâneo oriental teve início com o assassinato do líder supremo Ali Khamenei, quando o Irã fechou o Estreito de Ormuz e prometeu retaliações amplas contra alvos ocidentais.
Série de ataques iranianos
O ataque a Chipre com drones Shahed integra uma série de ofensivas que, nos dias anteriores, já havia atingido representações diplomáticas americanas na região. O consulado dos EUA em Dubai, a embaixada em Riad e a representação em Erbil estiveram entre os alvos — padrão que explica a corrida europeia por sistemas de defesa antidrone.
A mobilização coordenada sinaliza uma mudança de postura no continente: a Europa deixou de ser observadora distante do conflito para se tornar parte ativa da resposta. O envio de navios de guerra — incluindo um porta-aviões —, caças e sistemas antidrones ao Mediterrâneo oriental representa o maior deslocamento militar europeu coordenado na região em anos.
Com o conflito alcançando o território de um Estado-membro da União Europeia, a pressão política sobre Berlim tende a crescer. A Alemanha, que até agora sinalizou disposição sem comprometer efetivos, pode ser a próxima a anunciar um envio concreto à região.