O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira (4) que aguarda um chamado do presidente Lula para uma conversa pessoal.
A relação entre o senador e o Palácio do Planalto se deteriorou depois que Lula anunciou o advogado-geral da União, Jorge Messias, como indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Impasse entre Senado e Executivo
Questionado sobre a votação de Messias, Alcolumbre disse que aguarda o envio formal da mensagem de indicação pelo Palácio do Planalto. “Não chegou a mensagem”, afirmou o senador.
Após o anúncio de Lula, o Planalto decidiu segurar o envio diante da campanha liderada por Alcolumbre contra a aprovação do AGU na sabatina do Senado.
Em tom conciliatório, mas com recado claro, o presidente do Senado sinalizou que a iniciativa de reaproximação deve vir de Lula. “A gente podia continuar numa relação de pacificação e de harmonia entre os Poderes. Isso que eu entendo que é democracia”, declarou.
O preferido de Alcolumbre para a vaga no Supremo era o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O nome de Pacheco, porém, tornava-se cada vez mais improvável: o senador mineiro já articulava sua migração para o União Brasil para disputar o governo de Minas Gerais em 2026, o que comprometia sua viabilidade para o STF.
Sabatina acelerada como estratégia política
Com o impasse instaurado, Alcolumbre anunciou que a sabatina de Messias ocorreria em duas semanas — prazo deliberadamente curto para que o indicado tivesse pouco tempo de articular apoios entre os senadores.
A tensão com o Planalto, no entanto, não começou com a indicação de Messias. Dias antes, Alcolumbre já havia frustrado aliados do governo ao rejeitar a anulação da quebra de sigilo de Lulinho na CPMI do INSS, acumulando desgastes com a base governista.
O imbróglio coloca em xeque a relação institucional entre Senado e Executivo em um momento delicado, com o Supremo Tribunal Federal como palco de disputa política entre os Poderes.