Emmanuel Macron, presidente da França, alertou para o risco de prevalecer a “lei do mais forte” e o egoísmo de alguns países, durante discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23).
Macron defendeu um multilateralismo eficaz e destacou a necessidade de cooperação internacional, em contraste com a postura crítica de Donald Trump em relação à ONU.
O líder francês também abordou a guerra na Ucrânia, o conflito em Gaza e a decisão recente de reconhecer oficialmente o Estado Palestino.
Durante cerca de 30 minutos, Macron enfatizou a importância de fortalecer o multilateralismo e pediu união entre as nações. Ele afirmou que a ONU é um “tesouro” e criticou o que chamou de “antijogo de algumas pessoas”, que, segundo ele, dificulta a eficácia coletiva da organização.
Sem citar nomes, Macron alertou para o risco de que prevaleça a “lei do mais forte” e destacou que alguns países agem de forma egoísta, prejudicando a cooperação global. O presidente francês direcionou críticas ao governo de Vladimir Putin, reafirmando apoio à Ucrânia e ressaltando que a agressão russa não é apenas um problema europeu, mas afeta a estabilidade internacional.
Sobre o Oriente Médio, Macron declarou que não haverá segurança para Israel enquanto persistir uma guerra permanente com seus vizinhos. Ele defendeu a abertura de caminho para paz imediata, libertação de reféns, cessar-fogo, estabilização de Gaza, desmilitarização e desmantelamento do Hamas, além do reconhecimento recíproco de dois Estados: um palestino desmilitarizado e um israelense que reconheça o Estado da Palestina.
Repercussão e posicionamentos sobre Gaza
Antes do discurso na ONU, Macron defendeu sua decisão de reconhecer o Estado da Palestina em reunião bilateral com Trump. Ele afirmou que a medida não significa esquecer o ataque do Hamas em outubro de 2023, respondendo críticas do presidente americano, que considerou o reconhecimento uma recompensa às “atrocidades horríveis” do grupo palestino.
Em entrevista à TV francesa BFM, Macron desafiou Trump a acabar com a guerra em Gaza caso deseje o Prêmio Nobel da Paz, dizendo que os EUA têm influência sobre Israel por fornecerem armas usadas no conflito. “Há alguém que pode fazer algo, e esse é o presidente dos Estados Unidos… O Prêmio Nobel da Paz só é possível se ele acabar com este conflito”, afirmou.
Questões nucleares e desafios econômicos
Macron também abordou ameaças globais relacionadas à energia nuclear, mencionando o Irã e a possibilidade de reimposição de sanções caso o país não coopere com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele anunciou encontro com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian para discutir o tema.
Em relação à economia mundial, Macron se posicionou contra a polarização entre G7 e BRICS, defendendo diálogo e cooperação para enfrentar desafios globais.