Levantamento da Quaest divulgado nesta quarta-feira (17) aponta que 64% dos brasileiros consideram correta a defesa da soberania do Brasil pelo governo Lula frente ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
A pesquisa também mostra avaliações sobre punições a Jair Bolsonaro, aprovação do governo e opiniões sobre anistia a envolvidos em atos golpistas.
Reação dos brasileiros às medidas dos EUA e à postura do governo
De acordo com a pesquisa encomendada pela Genial Investimentos, 2.004 pessoas foram ouvidas entre 12 e 14 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança. Quando questionados se o governo Lula está certo ou errado ao defender a soberania do Brasil frente aos EUA, 64% responderam ‘certo’, 26% ‘errado’ e 10% não souberam ou não responderam.
Os Estados Unidos, sob decisão do presidente Donald Trump, impuseram uma taxa de 50% aos produtos brasileiros, citando entre os motivos o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). O maior apoio à postura do governo Lula vem de pessoas de esquerda não lulistas (91%), lulistas (88%) e quem não tem posicionamento político (71%).
Aprovação e desaprovação do governo Lula
O levantamento aponta que a desaprovação ao governo Lula permanece em 51%, enquanto a aprovação está em 46%, mantendo os índices da pesquisa anterior. A diferença entre aprovação e desaprovação é a menor desde janeiro de 2025, quando houve empate técnico. Entre evangélicos, a desaprovação é de 61% e a aprovação de 35%, mas a diferença é a menor do ano. Entre católicos e pessoas com 60 anos ou mais, há empate técnico. A desaprovação é maior entre quem tem até ensino médio completo (55% contra 42% de aprovação), mas a diferença caiu em relação a julho. No grupo com renda familiar de 2 a 5 salários mínimos, há empate técnico.
Punições a Bolsonaro e debate sobre anistia
Condenação e medidas judiciais
Segundo a pesquisa, 49% dos brasileiros consideram exagerada a pena de 27 anos de prisão imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro por participação na trama golpista após a eleição de 2022, enquanto 35% acham adequada e 12% insuficiente. A visão de exagero é predominante entre bolsonaristas (89%) e direita não bolsonarista (83%), enquanto lulistas e esquerda não lulista consideram a pena adequada (60% e 61%, respectivamente).
Sobre a inelegibilidade de Bolsonaro, 47% consideram adequada e 35% exagerada. A prisão domiciliar é vista como adequada por 51%, exagerada por 28% e insuficiente por 16%. O uso de tornozeleira eletrônica é considerado adequado por 48%, exagerado por 35% e insuficiente por 13%.
Para 55% dos entrevistados, houve tentativa de golpe de estado, e 54% acreditam que Bolsonaro participou do plano. Já 34% consideram que o ex-presidente não se envolveu.
Opinião sobre anistia
Quanto à possibilidade de anistia para envolvidos na tentativa de golpe após a eleição de 2022, 41% são contra, 36% defendem anistia para todos os envolvidos (incluindo Bolsonaro) e 10% apoiam anistia apenas para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.
Outros destaques políticos
O cenário político também é marcado por articulações no Congresso, como a negociação de anistia branda para golpistas, escolha de Eduardo Bolsonaro como líder da minoria e debates sobre liberdade de expressão, como o cancelamento da participação de Milly Lacombe na Flim após repercussão de entrevista sobre família.