Política

Quaest: desaprovação de Lula sobe a 51% e empate com Flávio surpreende

Pesquisa mostra piora acumulada desde dezembro e marca inédito entre eleitoras

A aprovação do presidente Lula caiu para 44% e a desaprovação subiu a 51%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (11). É o maior intervalo entre os dois índices desde o início do terceiro mandato.

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 6 e 9 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança.

Tendência de piora acumulada mês a mês

A diferença entre desaprovação e aprovação vinha se ampliando de forma constante: era de um ponto em dezembro, dois em janeiro, quatro em fevereiro e chegou a sete agora. O índice de desaprovação havia se estabilizado em 49% desde dezembro, mas voltou ao patamar de julho e agosto de 2025 — ainda abaixo do pico histórico de 57%, registrado em maio daquele ano.

Entre as mulheres, pela primeira vez a desaprovação (48%) superou a aprovação (46%). O eleitorado feminino é considerado estratégico para a disputa presidencial de 2026, em que Lula tentará a reeleição.

Entre os jovens de 16 a 34 anos, a desaprovação saltou de 50% em fevereiro para 56% em março.

Recorte regional e religioso

O Nordeste continua como base de sustentação do governo: 65% aprovam a gestão. Nas demais regiões, a desaprovação prevalece — 58% no Sudeste, 60% no Sul e 59% no Centro-Oeste e Norte.

Entre os católicos, a desaprovação passou de 42% para 47%, enquanto a aprovação recuou de 52% para 49%.

Poucos dias antes, o Datafolha já havia registrado sinal semelhante: a desaprovação pessoal de Lula superou a aprovação pela primeira vez no terceiro mandato — tendência que a Quaest agora confirma e aprofunda. O Ipsos-Ipec, divulgado na mesma semana, reforça o quadro: 40% avaliam o governo como ruim ou péssimo e 51% desaprovam a gestão — convergência que revela um padrão, não uma oscilação isolada.

Empate inédito no segundo turno eleitoral

A Quaest apresentou, pela primeira vez, empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno: ambos registram 41% das intenções de voto.

O resultado não é uma surpresa isolada. O Datafolha já havia mostrado a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro encolher de 15 para apenas 3 pontos em menos de três meses — trajetória que a Quaest agora transforma em empate técnico.

Avaliação de governo e percepção econômica

A avaliação negativa do governo atingiu 43%, voltando ao patamar de maio de 2025. A avaliação positiva oscilou para baixo, de 33% para 31%.

Sobre a continuidade do mandato, os entrevistados dividiram opiniões ao serem questionados se Lula merece governar por mais quatro anos. A pesquisa também aferiu a percepção econômica: tanto o balanço dos últimos 12 meses quanto as expectativas para o futuro ajudam a explicar a erosão no apoio popular.

Em relação à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, 30% disseram ter sido beneficiados e 67% responderam que não — proporção estável em relação à pesquisa de fevereiro de 2026.

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