O diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirmou nesta quarta-feira (17) que a recuperação da popularidade de Lula (PT) foi interrompida, conforme pesquisa divulgada no mesmo dia.
Segundo o levantamento, 51% desaprovam e 46% aprovam o presidente, repetindo os índices de agosto. Para Bolsonaro, a pesquisa mostra que o julgamento recente trouxe mais problemas do que soluções, consolidando a percepção de golpe.
Estabilidade na aprovação de Lula e desafios econômicos
De acordo com Felipe Nunes, a pesquisa mostra estabilidade nos índices de aprovação e desaprovação de Lula, que permanecem em 46% e 51%, respectivamente, os mesmos de agosto. Nunes destaca que o efeito do tarifaço de Donald Trump sobre o Brasil parece ter atingido seu limite, já que a popularidade do governo não avançou, mesmo com 49% dos entrevistados acreditando que Lula se saiu melhor que Bolsonaro diante do embate com os norte-americanos.
O diretor da Quaest ressalta que, apesar da estabilidade, o governo tem motivos para comemorar e para se preocupar. Programas sociais como Bolsa Família e o recém-lançado Gás do Povo mantêm alta aprovação, mas 65% dos entrevistados agora veem esses programas como direitos, não como benefícios que exigem gratidão política, um aumento em relação aos 51% de março.
Na economia, houve melhora na percepção sobre o mercado de trabalho: 41% acham mais fácil encontrar emprego hoje do que há um ano, ante 34% anteriormente. No entanto, a inflação de alimentos segue como obstáculo, com 61% percebendo preços mais altos. Além disso, 58% acreditam que o país segue na direção errada, e 61% acham que Lula perdeu a conexão com o povo.
Percepção de golpe e julgamento de Bolsonaro
Sobre Bolsonaro, Nunes afirma que se consolidou a percepção de tentativa de golpe de Estado: 55% acreditam que houve golpe, ante 50% em dezembro, enquanto 38% discordam. A parcela que considera Bolsonaro participante ativo da tentativa de golpe chegou a 54%, e a dos que discordam caiu para 34%.
A avaliação de imparcialidade do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) subiu de 36% para 42%, e a tese de perseguição contra Bolsonaro caiu de 52% para 47%. O apoio ao impeachment de Alexandre de Moraes, defendido por bolsonaristas, diminuiu e agora é minoritário, com 36% a favor e 52% contra, revertendo o cenário anterior.
Nunes conclui que a pesquisa traz custos para ambos os lados: Lula vê sua recuperação interrompida e Bolsonaro enfrenta maior rejeição pública. Segundo ele, o único fortalecido é o ministro Alexandre de Moraes. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre 12 e 14 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança.