A Novo Nordisk comunicou nesta quarta-feira (10) que irá demitir 9.000 funcionários, o que representa 11% de sua força de trabalho global, devido à intensificação da concorrência nos tratamentos contra obesidade.
A medida, que afeta 80 países e 5.000 pessoas só na Dinamarca, deve gerar uma economia de 8 bilhões de coroas (US$ 1,3 bilhão, cerca de R$ 7 bilhões) até o fim de 2026, segundo a fabricante do Ozempic e Wegovy.
Concorrência crescente pressiona farmacêutica
A Novo Nordisk, reconhecida mundialmente por seus medicamentos para diabetes e obesidade, enfrenta atualmente uma competição intensa, especialmente do grupo americano Eli Lilly, que também desenvolve tratamentos rivais para obesidade.
Além da concorrência direta, a capacidade limitada de produção da empresa levou a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) a permitir, de forma temporária, que farmácias norte-americanas produzissem versões “compostas” dos medicamentos, ou seja, imitações do Ozempic e do Wegovy.
Essa autorização do FDA terminou em 22 de maio. No entanto, a Novo Nordisk declarou no mês passado que as vendas de versões genéricas de seus medicamentos persistem, sendo comercializadas sob a justificativa de “personalização”.
Ozempic e Wegovy: impacto e funcionamento
O Ozempic é um medicamento injetável originalmente desenvolvido para tratar diabetes, mas ganhou grande notoriedade nas redes sociais por sua eficácia no emagrecimento. Já o Wegovy, que possui o mesmo princípio ativo do Ozempic, é indicado especificamente para a perda de peso, porém em dosagem diferente.
Ambos os medicamentos atuam como análogos do hormônio GLP-1, responsável por regular os níveis de glicose no sangue e o apetite. O sucesso desses tratamentos impulsionou o crescimento da Novo Nordisk, mas também atraiu concorrentes e estimulou a produção de versões genéricas e imitadoras, o que contribuiu para o cenário atual de cortes e reestruturação na empresa.