O governo do presidente Javier Milei anunciou nesta terça-feira (2) que passará a intervir no mercado de câmbio argentino.
A medida foi tomada após a queda expressiva do peso frente ao dólar desde abril, quando o regime flutuante foi adotado.
O contexto é agravado por uma crise política envolvendo escândalos de corrupção e eleições provinciais e legislativas próximas.
Intervenção no câmbio argentino
O anúncio da intervenção foi feito por Pablo Quirno, secretário de Finanças da Argentina, em publicação no X. Segundo Quirno, o Tesouro Nacional atuará diretamente na compra e venda de dólares. O objetivo é garantir oferta suficiente da moeda e evitar movimentos bruscos de desvalorização do peso.
Desde a adoção do regime flutuante, em abril, o peso argentino tem sofrido forte desvalorização frente ao dólar. A preocupação do governo se intensifica diante das eleições provinciais marcadas para domingo (7), especialmente em Buenos Aires, e do pleito legislativo de meio de mandato, previsto para 26 de outubro.
Crise política e impacto na governabilidade
O governo Milei enfrenta uma crise política após o vazamento de áudios e acusações de corrupção. O escândalo começou em 22 de agosto, quando um ex-aliado divulgou um áudio acusando Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, de corrupção. Novos áudios, divulgados em 27 de agosto, sugerem um suposto esquema de propina envolvendo indústrias farmacêuticas e a compra de medicamentos para a rede pública.
As denúncias partiram de Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), demitido após a divulgação do caso. Ele acusa Karina Milei e Eduardo ‘Lule’ Menem, subsecretário de gestão institucional, de cobrarem propina.
Javier Milei defendeu publicamente a irmã, chamando as acusações de “mentirosas” e prometendo levar o caso à Justiça. A polêmica ocorre a poucas semanas das eleições, abalando a confiança dos investidores e provocando uma queda ainda maior nos índices de aprovação do presidente.