Saúde

Estudo revela limites e utilidades do ChatGPT em respostas sobre câncer

Pesquisa com ChatGPT 3.5 mostra que IA pode apoiar pacientes, mas não substitui orientação médica especializada

Um estudo liderado por Justin Taylor, do Sylvester Comprehensive Cancer Center da Universidade de Miami, avaliou o desempenho do ChatGPT 3.5 em respostas sobre câncer hematológico. A pesquisa mostrou que a IA é útil para esclarecer conceitos gerais, mas falha em temas sobre tratamentos recentes. Especialistas recomendam cautela ao usar a ferramenta para decisões médicas.

Resultados da avaliação do ChatGPT

O estudo submeteu dez perguntas ao ChatGPT, sendo cinco sobre temas gerais, como efeitos colaterais da quimioterapia, e cinco sobre terapias específicas, como inibidores de BCL-2. Quatro hematologistas e oncologistas avaliaram as respostas anonimamente em uma escala de 1 a 5. Para perguntas gerais, a IA obteve média de 3,38 pontos, classificada como “razoável, mas incompleta”. Já para questões sobre terapias recentes, a média caiu para 3,06 pontos. Nenhuma resposta atingiu a nota máxima.

Os autores destacaram: “A supervisão médica continua sendo essencial para verificar as informações médicas geradas pela IA antes do uso pelo paciente”.

Importância do ceticismo e limitações

Justin Taylor ressaltou que, assim como o Google foi incorporado ao cotidiano dos pacientes, a IA também será, mas é preciso cautela. Ele aconselha: “Eu alerto os pacientes para que tenham algum ceticismo, especialmente sobre respostas que tratam de tipos específicos de câncer e tratamentos, e consultem seus médicos”. Segundo Taylor, chatbots não conseguem personalizar recomendações ou discutir nuances como especialistas em consultas presenciais.

Limitações técnicas e próximos passos

O estudo avaliou apenas a versão 3.5 do ChatGPT, treinada com dados até 2021, deixando de fora avanços médicos posteriores. Embora versões mais recentes possam apresentar melhorias, Taylor reforça que a mensagem central permanece: a IA pode apoiar, mas não substituir o profissional de saúde.

Potenciais aplicações e iniciativas

Apesar das limitações, os pesquisadores enxergam usos positivos para chatbots, como ajudar pacientes a se prepararem para consultas, elaborarem perguntas e encontrarem fontes confiáveis. A Universidade de Miami já investe em cursos de ética em IA na medicina e sistemas de inteligência artificial para diagnóstico de tumores cerebrais e previsão de risco em mieloma múltiplo.

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