A Nvidia consolidou-se como a empresa mais valiosa do mundo ao registrar forte demanda por seus chips de inteligência artificial, especialmente entre gigantes de tecnologia como Meta e OpenAI. Apesar das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, a empresa prevê receita recorde para o próximo trimestre e amplia negociações para retomar vendas de chips de alta performance ao mercado chinês.
O impacto do boom de IA
Os sofisticados chips da Nvidia tornaram-se essenciais para o desenvolvimento de inteligência artificial, impulsionando o crescimento da empresa. Na última quarta-feira, a companhia destacou que a procura segue intensa, principalmente por parte de grandes nomes do setor como Meta e OpenAI, que buscam expandir suas capacidades em IA.
O CEO Jensen Huang afirmou em teleconferência que “a corrida da IA começou de fato”, ressaltando que os investimentos das quatro maiores empresas de tecnologia dobraram, atingindo US$ 600 bilhões anuais. Huang acredita que a inteligência artificial acelerará o crescimento do PIB global e destacou a contribuição da Nvidia para a infraestrutura do setor.
Colleen McHugh, da Wealthify, declarou à BBC que a Nvidia está “no centro desse boom de IA” e praticamente sem concorrentes no mercado de chips para inteligência artificial. Ela também apontou a dependência da empresa das gigantes tecnológicas para manter o ritmo de crescimento, o que tem impulsionado o valor das ações.
No segmento de data centers, a receita subiu 56% e atingiu US$ 41,1 bilhões, embora tenha ficado levemente abaixo das expectativas. Eileen Burbridge, da Passion Capital, atribuiu a oscilação das ações a esse desempenho, mas classificou o crescimento geral como “inacreditável”.
Em julho, a Nvidia tornou-se a primeira empresa do mundo com valor de mercado de US$ 4 trilhões. Para o trimestre atual, a expectativa é de receita de US$ 54 bilhões, superando previsões de Wall Street.
Desafios e estratégias diante das tensões EUA-China
A Nvidia enfrenta desafios geopolíticos devido às restrições impostas pelos Estados Unidos à venda de chips de alta performance para a China. Em julho, a empresa anunciou a retomada das vendas desses produtos ao mercado chinês, após o CEO Jensen Huang negociar a reversão da proibição dos chips H20 com o governo Trump.
O governo americano havia restringido as vendas temendo o uso dos chips pelo Exército chinês. Recentemente, executivos da Nvidia informaram que o governo dos EUA passou a revisar licenças para vendas dos chips H20 a clientes chineses, mas até o momento nenhum chip foi enviado, embora algumas licenças tenham sido concedidas. O governo dos EUA espera receber 15% da receita dessas vendas licenciadas.
A empresa não incluiu os H20 em suas projeções para o trimestre e também faz lobby para aprovar a venda dos chips Blackwell na China, maior mercado da Nvidia. Analistas observam que as restrições americanas estimulam a produção local de chips na China. Jacob Bourne, da Emarketer, destacou que o avanço da Nvidia em robótica pode ser crucial para manter sua posição de destaque no setor de IA.