O ministro da Casa Civil, Rui Costa, declarou nesta terça-feira (12) que o plano de contingência para enfrentar as tarifas de 50% dos Estados Unidos será anunciado até quarta-feira (13).
O governo realizou reuniões para definir os detalhes das ações que vão apoiar as empresas brasileiras prejudicadas pela medida americana, em vigor desde 1º de agosto.
A expectativa inicial era de anúncio imediato, mas ajustes finais adiaram a divulgação das medidas.
Negociações e impasses
O governo brasileiro busca alternativas para mitigar os efeitos da sobretaxa imposta pelo presidente norte-americano Donald Trump aos produtos brasileiros. O anúncio do plano de contingência foi adiado após uma reunião realizada na segunda-feira, quando ainda restavam detalhes a serem definidos. Segundo a ministra do Planejamento, Simone Tebet, a complexidade do processo e a necessidade de analisar caso a caso em cada setor afetado explicam a demora. Tebet destacou que o setor de pescado está entre os mais impactados, mas nem todas as empresas do segmento serão beneficiadas.
Entre as principais medidas em discussão estão linhas de crédito para empresas atingidas, adiamento do pagamento de tributos federais por até dois meses e compras públicas de mercadorias perecíveis, como peixes, frutas e mel, que estão paradas desde a entrada em vigor da tarifa.
Fontes do governo apontam que o tamanho do programa Reintegra, de ressarcimento de tributos a exportadores, é um dos pontos que ainda travam o anúncio.
Busca por novos mercados e contexto político
O ministro Rui Costa afirmou que, além do apoio financeiro, o governo trabalha para abrir novos mercados para os produtos brasileiros afetados pelo tarifaço. Ele relatou conversas com embaixadores da Índia e da China para avaliar possíveis compras desses países. “Estamos conversando sobre o que eles podem comprar de nós e o que nós podemos comprar deles, porque os EUA resolveu brigar com o mundo”, disse Costa.
As negociações com os Estados Unidos não avançaram, segundo interlocutores do Planalto, pois Trump teria condicionado o diálogo ao encerramento de processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente Lula tem viagens agendadas para Pernambuco na quinta-feira (14), o que reforça a expectativa de anúncio do plano antes de sua partida.
O plano de contingência é visto como fundamental para evitar prejuízos maiores às empresas exportadoras brasileiras e garantir alternativas diante do cenário internacional adverso.