O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirmou nesta sexta-feira (1°) que o evento não será transferido de Belém, apesar da pressão de países preocupados com hospedagem. A organização anunciou uma plataforma, gerida pela ONU, que oferecerá vagas com diárias de até US$ 220 para 98 países em desenvolvimento e insulares.
O total de vagas não foi detalhado. A medida visa garantir a participação de delegações desses países, diante do aumento dos preços das acomodações na cidade.
Crise da hospedagem e resposta da organização
Na última terça-feira (29), o escritório climático da ONU realizou uma reunião urgente para discutir os altos preços das acomodações para a COP30. O governo brasileiro se comprometeu a abordar as preocupações dos países e apresentar um relatório até 11 de agosto. Em abril, o governo federal sugeriu um acordo com hotéis de Belém para evitar preços considerados abusivos, mas a proposta ainda não foi assinada.
Richard Muyungi, presidente do Grupo Africano de Negociadores, declarou à Reuters que as delegações africanas não querem reduzir sua participação devido aos custos. A preocupação central é que países pobres possam ficar excluídos das negociações caso não consigam arcar com as despesas.
Detalhes da plataforma de hospedagem
A organização da COP30 informou que a plataforma lançada este mês será administrada pela ONU e disponibilizará opções de estadia em etapas, conforme acordo entre o Brasil e a UNFCCC. As modalidades incluem hotéis, aluguel por temporada e navios. Inicialmente, 98 países em desenvolvimento e insulares terão acesso a diárias de até US$ 220. Em etapas posteriores, outros países, além de mídia e observadores, poderão adquirir acomodações por até US$ 600. Não há previsão para o início das próximas fases. O envio dos links de acesso à plataforma será feito pela própria ONU aos credenciados.
Repercussão e próximos passos
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, reconheceu publicamente o problema dos preços elevados, afirmando que as acomodações estão até 10 vezes mais caras. Em conversa com a imprensa estrangeira, Lago reforçou que a questão está sendo negociada e garantiu: “Vamos garantir que essa única dimensão que está sendo levantada, que é o preço dos hotéis, possa ser superada para que todos possam vir a Belém”.
A preocupação dos países em desenvolvimento é evitar a exclusão de suas delegações das negociações climáticas. A expectativa é que, com as medidas anunciadas, seja possível viabilizar a presença de todos os países, mantendo a representatividade e o equilíbrio nas discussões da COP30. O relatório prometido pelo governo brasileiro será apresentado em agosto, trazendo novos desdobramentos sobre o tema.