Negócios

Trump adia tarifaço e setor de carnes brasileiro evita prejuízo imediato nas exportações

Decisão adia início do aumento tarifário para quarta-feira e protege carregamento de 30 mil toneladas já embarcado aos EUA

O adiamento do início do tarifaço para a próxima quarta-feira (6) trouxe alívio ao setor de exportação de carnes do Brasil, que negocia alternativas para mitigar os impactos das novas tarifas dos Estados Unidos.

Com a medida, um carregamento de 30 mil toneladas, avaliado em US$ 160 milhões, foi poupado do aumento tarifário, evitando prejuízos imediatos ao segmento.

Apesar do respiro, representantes da indústria alertam para riscos futuros, já que novos embarques ficarão inviáveis sob as tarifas elevadas.

Impacto das tarifas e negociações em curso

O setor de exportação de carnes está em diálogo com o governo brasileiro e seus associados para buscar soluções que minimizem os efeitos do aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos. Segundo fontes do setor, se o tarifaço tivesse entrado em vigor nesta sexta-feira, os impactos seriam enormes, especialmente para as 30 mil toneladas já embarcadas, equivalentes a US$ 160 milhões.

A medida prevê aumentos expressivos nas tarifas de exportação, o que pode inviabilizar embarques para mercados estratégicos como os EUA. Representantes da indústria afirmam que, enquanto o tarifaço estiver em vigor, novas remessas não devem ser enviadas, pois os custos adicionais tornam a operação insustentável.

Logística dos embarques

Os embarques para os EUA são realizados majoritariamente por navio, com viagens que podem durar até um mês, dependendo do porto de destino. Produtos embarcados a partir de agora estarão sujeitos às novas tarifas ao chegarem ao território norte-americano.

Desafios e alternativas para o setor

O setor de carnes já enfrenta uma tarifa de 26,4% sobre as exportações para os EUA. Com o novo tarifaço, o custo pode chegar a 76%, índice considerado inviável para a indústria. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Roberto Perosa, reuniu-se com o governo na quarta-feira (30) e, nesta quinta-feira (31), viajou ao interior do país para discutir estratégias com integrantes da associação.

Entre as alternativas avaliadas estão a internalização de parte da carne que não será mais enviada aos EUA e a busca por outros mercados internacionais. O setor espera que as negociações com os EUA possam resultar em exceções ou flexibilizações para manter a competitividade brasileira.

Tempos de viagem e logística

O transporte marítimo de carne do Brasil para os EUA pode durar de 20 a 40 dias, dependendo do destino: Philadelphia (20 dias), Jacksonville (24 dias), Norfolk (27 dias), Everglades (29 dias), Houston e Charleston (30 dias), Los Angeles (35 dias) e Oakland (40 dias).

As negociações estão no início e há expectativa de que os EUA possam, futuramente, reconsiderar o aumento das tarifas.

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