Faltando quatro dias para o início do tarifaço, Geraldo Alckmin conversou novamente com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, na segunda-feira (28). O governo brasileiro articula, nos bastidores, estratégias para focar a negociação apenas na pauta comercial e tentar destravar o impasse com a Casa Branca.
O prazo para implementação das novas taxas impostas por Donald Trump começa na sexta-feira (1º), e o Brasil busca envolver o presidente americano diretamente nas conversas.
Negociações e bastidores
O governo brasileiro tem intensificado esforços para reabrir o diálogo com os Estados Unidos sobre o tarifaço anunciado por Donald Trump. A estratégia atual, coordenada por ministros-chave, busca separar questões políticas das econômicas, priorizando exclusivamente a pauta comercial. O objetivo é destravar o impasse e trazer Trump para a mesa de negociações, já que a decisão final depende dele.
Na última segunda-feira (28), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, manteve nova conversa telefônica com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Segundo fontes do governo, Alckmin reforçou a disposição do Brasil em negociar e destacou internamente a importância de focar somente em tarifas, deixando de lado questões políticas.
No MDIC, a avaliação é que o primeiro encontro com Lutnick, ocorrido na semana anterior e com duração de 50 minutos, foi apenas protocolar, sem avanços concretos. Atualmente, Lutnick é visto como o único interlocutor americano com poder para encaminhar uma negociação sobre o tema.
Articulações diplomáticas e próximos passos
O esforço do governo brasileiro para uma próxima reunião é “limpar” a pauta, retirando componentes políticos e mantendo apenas elementos comerciais em discussão. Até o momento, essa separação ainda não foi possível. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, atua discretamente para obter uma reação dos Estados Unidos e retomar as negociações.
O Itamaraty e o Palácio do Planalto têm acionado canais no governo americano para reforçar a disposição brasileira ao diálogo. A expectativa é que qualquer novidade só surja após o retorno da comitiva presidencial de Trump, que esteve no Reino Unido e retorna a Washington nesta terça-feira.
O governo brasileiro deseja um telefonema entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, mas defende que a ligação seja cuidadosamente preparada para garantir um ambiente favorável à negociação.