Postagens nas redes sociais alegam que o governo federal realizou um corte que excluiu cerca de 900 mil famílias do Bolsa Família entre junho e julho deste ano.
Na verdade, a saída dessas famílias do programa ocorreu devido ao aumento da renda, conforme informou o governo em 18 de julho.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social esclareceu que a exclusão não está relacionada a mudanças recentes nas regras do benefício.
Entenda a origem da informação
Em 24 de julho, uma publicação no Facebook afirmou que o governo do presidente Lula teria feito um “corte” no Bolsa Família, excluindo quase 900 mil famílias devido a uma suposta alteração na regra de transição do programa. A postagem dizia: “NOVO CORTE NO BOLSA FAMÍLIA CAUSA IMPACTO EM MILHARES DE FAMÍLIAS. […] Com isso, quase 900 mil famílias foram excluídas do programa entre junho e julho, o menor número de beneficiários dos últimos 3 anos”.
O que diz o governo
No entanto, o governo federal informou em 18 de julho que cerca de 958 mil famílias deixaram de receber o benefício porque tiveram aumento de renda. O critério atual do programa determina que apenas domicílios com renda mensal de até R$ 218 por integrante podem receber o Bolsa Família. Quando a renda ultrapassa esse valor, mas permanece abaixo de meio salário mínimo por pessoa, a família entra na chamada “regra de proteção”, que permite receber 50% do auxílio por até dois anos.
Em maio, o governo anunciou que esse prazo seria reduzido para um ano a partir de junho, sem afetar famílias já beneficiadas. Contudo, a saída das famílias em julho não está relacionada a essa mudança, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Detalhamento dos dados e esclarecimentos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, das famílias que saíram do programa, 536 mil cumpriram os dois anos previstos na regra de proteção. Outras 385 mil deixaram o Bolsa Família por terem ultrapassado o limite de renda permitido por integrante.
Portanto, a saída de quase 900 mil famílias não foi resultado de um corte arbitrário ou de mudanças repentinas nas regras, mas sim do cumprimento dos critérios estabelecidos para o benefício e do aumento de renda dos beneficiários.
Outros boatos recentes
Além desse caso, circularam nas redes sociais outros conteúdos enganosos, como vídeos antigos de protestos de caminhoneiros e motociatas sendo apresentados como atuais. Um vídeo de caminhoneiros buzinando em pedágio, por exemplo, refere-se a um protesto contra aumento de tarifa em Minas Gerais em março de 2025, e não a uma paralisação nacional. Outro vídeo, de Luciano Hang em motociata, foi gravado em outubro de 2022, não no último domingo em Joinville, como alegado em postagens falsas.