O Brasil registrou em 2024 a menor taxa de roubos desde o início da série histórica, enquanto os golpes, como estelionatos, atingiram níveis recordes, segundo o Anuário de Segurança do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (24).
Os dados indicam que a dinâmica dos crimes patrimoniais está mudando, migrando do ambiente físico para o virtual, e reforçam a necessidade de repensar o sistema de segurança pública no país.
Mudanças no perfil dos crimes patrimoniais
De acordo com Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), há uma transformação consolidada nos últimos cinco anos na forma como os crimes patrimoniais são praticados no Brasil. “Já são cinco anos de tendência, o que consolida um movimento que, por si só, justificaria a reflexão sobre a reorganização do sistema de segurança pública no país”, afirmou Lima. Ele destaca que desde 2020, com a pandemia de Covid-19, a criminalidade passou a atuar de maneira diferente, migrando do ambiente físico para o virtual.
O especialista ressalta que essa mudança reconfigura por completo a governança criminal e influencia a inversão entre roubos e estelionatos, mudando a forma como bens e recursos são subtraídos das vítimas.
Roubos e furtos de celulares em queda
Os registros de roubos e furtos de celulares caíram 13% em 2024, mas ainda somam mais de 917 mil aparelhos subtraídos. Os crimes se concentram nas quintas e sextas-feiras, especialmente nos horários em que as pessoas estão indo (6h às 8h) ou voltando (19h às 20h) para casa. Roubos com violência ou ameaça predominam à noite, com 41% dos casos entre 18h e 23h, sendo 80% deles ocorridos na rua.
Já os furtos, sem ameaça, são mais comuns nos finais de semana, principalmente aos sábados (18%) e domingos (16%), e costumam ocorrer a partir das 10h e novamente às 18h.
Outros destaques do Anuário de Segurança
- Feminicídios e mortes de crianças aumentaram, mesmo com a queda nos assassinatos em geral.
- Uma em cada cinco medidas protetivas urgentes concedidas pela Justiça foi descumprida em 2024.
- Apesar da queda de 12,6% nos roubos e furtos de celulares, mais de 917 mil aparelhos foram levados. Apenas 8% deles foram recuperados pelas polícias.
- As dez cidades mais violentas do país estão no Nordeste, metade delas na Bahia, devido a disputas de facções pelo tráfico de drogas.
- O investimento em segurança pública cresceu 6% e chegou a R$ 153 bilhões em 2024, com as cidades investindo 60% mais do que em 2021.
- Os registros de novas armas caíram 79% de 2022 para 2024, enquanto a fabricação nacional de armas teve queda de 92,3% desde 2021.
- O número de pessoas presas aumentou 6% e chegou a 909.594, mas o déficit de vagas ultrapassa 237 mil. Cerca de 13% cumprem pena com tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar.
- RN e SC lideram as interrupções de aulas por violência no entorno de escolas e creches públicas, seguidos pelo RJ.
- Casos de bullying e cyberbullying cresceram, afetando principalmente crianças a partir de 10 anos (47%) e adolescentes de 14 a 17 anos (58%).