Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo apresentaram aumento nas taxas de mortes violentas em 2024, conforme o Anuário da Segurança divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados mostram dinâmicas distintas em cada estado, com destaque para conflitos entre facções e aumento da letalidade policial.
Enquanto as mortes decorrentes de intervenção policial caíram nacionalmente, esses quatro estados destoaram, cada um com fatores específicos para o crescimento dos índices.
Panorama dos estados com alta nas mortes violentas
De acordo com o Anuário da Segurança, divulgado em 24 de julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo tiveram aumento na taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes em 2024. O Ceará registrou 308 assassinatos a mais, três policiais mortos e 45 mortes cometidas por policiais a mais em relação a 2023. Segundo a pesquisadora Samira Bueno, disputas entre facções são o principal fator para esse crescimento. O governo estadual afirma que aumentou investimentos e a presença policial nas ruas.
Em Minas Gerais, foram 164 assassinatos a mais, duas mortes de policiais e 63 mortes pela polícia em comparação ao ano anterior. O Fórum destaca o crescimento da violência policial, atribuindo parte do aumento à morte de um agente. O governo de Romeu Zema afirma que, em 2025, os crimes violentos têm diminuído.
No Maranhão, houve 218 assassinatos a mais e 14 mortes cometidas por policiais a mais entre 2023 e 2024, com uma morte de policial a menos. O Fórum também relaciona a alta à atuação de facções criminosas. O governo estadual aponta queda nos assassinatos em 2025.
Já São Paulo teve redução de 98 assassinatos em 2024, mas as mortes pela polícia aumentaram em 309 casos, além de três policiais mortos a mais. O estado liderou o aumento da letalidade policial. O governo Tarcísio de Freitas afirma que a violência policial diminuiu em 2025 e que todos os casos são investigados.
Dinâmicas e justificativas segundo especialistas e governos
Análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, explica que o aumento das mortes violentas tem causas distintas: em São Paulo, o salto nas mortes por intervenção policial foi determinante; em Minas Gerais, destaca-se o crescimento da mortalidade policial, fenômeno historicamente menos comum no estado. No Ceará e Maranhão, o avanço de facções criminosas e os conflitos internos explicam a elevação dos índices.
O que dizem os governos estaduais
O governo do Ceará afirma que investimentos em inteligência, tecnologia e presença policial resultaram em queda das mortes violentas no segundo semestre de 2024, após alta no primeiro semestre. No Maranhão, a Secretaria de Segurança Pública destaca redução de crimes violentos em 2025 e relaciona o aumento de 2024 a conflitos entre facções. Minas Gerais ressalta que permanece entre os estados com menores taxas de mortes violentas e aponta redução de 14% nos crimes violentos no primeiro semestre de 2025 em relação a 2024. São Paulo reforça possuir a menor taxa de homicídios do país, com queda nos latrocínios e trabalho integrado das forças de segurança, apesar do aumento da letalidade policial em 2024.
Todos os estados destacam a investigação dos casos e o papel das corregedorias, Ministério Público e Judiciário no acompanhamento das mortes decorrentes de intervenção policial.