Meio ambiente

Censo revela que quase 12 milhões vivem em unidades de conservação no Brasil

Mais da metade das unidades de conservação brasileiras é inabitada, e moradores enfrentam maior precariedade

O Censo 2022 aponta que cerca de 12 milhões de brasileiros, o equivalente a 6% da população, vivem em unidades de conservação. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (11), mostram que mais da metade dessas áreas é inabitada, e que a população residente é majoritariamente negra, indígena e quilombola.

O Distrito Federal lidera proporcionalmente, com 39% dos habitantes em áreas protegidas. A maioria dos moradores está em unidades de uso sustentável, onde há menos restrições à presença humana.

Distribuição e perfil dos moradores

O Brasil conta com 2.365 unidades de conservação, divididas entre áreas de proteção integral e de uso sustentável. Segundo o IBGE, a população vive em menos da metade delas, enquanto 1.227 permanecem inabitadas. Quase todos os 12 milhões de residentes estão em unidades de uso sustentável, como a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central, onde está localizada Brasília, que abriga 602 mil pessoas.

A população dessas áreas apresenta um perfil racial distinto: 51% são pardos (contra 45% da média nacional), 36% brancos (44% no país), 12% pretos (10%) e 1% indígenas (0,8%). A presença de quilombolas é maior, com 2% ante 0,7% do total nacional; um em cada cinco quilombolas vive em unidade de conservação.

Precariedade e infraestrutura

Em 2022, cerca de 4,7 milhões dos 11,7 milhões de moradores dessas áreas conviviam com alguma forma de precariedade relacionada a abastecimento de água, esgotamento sanitário ou coleta de lixo. Isso representa 40,34% dessa população, índice superior à média nacional de 27,28%. Entre as condições precárias estão a ausência de água canalizada, esgotamento sanitário ligado à rede geral ou fossa séptica, e coleta de lixo.

Tipos e exemplos de unidades de conservação

Proteção integral

As unidades de proteção integral priorizam a preservação ambiental e impõem restrições à presença humana. Entre elas estão Estações Ecológicas, Reservas Biológicas, Parques nacionais, estaduais ou municipais, Monumentos Naturais e Refúgios de Vida Silvestre.

As mais populosas são: Parque Estadual do Bacanga (MA) com 31.887 habitantes, Parque Natural Municipal da Serra do Mendanha (RJ) com 8.303, Refúgio de Vida Silvestre Estadual da Lagoa da Turfeira (RJ) e do Médio Paraíba (RJ), ambos com 8.208, entre outros.

Uso sustentável

Nessas áreas, a conservação convive com a presença humana. Incluem Florestas nacionais, estaduais ou municipais, Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável, Reservas de Fauna e Reserva Particular do Patrimônio Natural.

Distrito Federal em destaque

O Distrito Federal se destaca por ter 39% de sua população vivendo em unidades de conservação, especialmente na Área de Proteção Ambiental do Planalto Central, a maior do país em número de habitantes.

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