Política

Barroso conversa com Lula e decide que STF não responderá diretamente a Trump

Presidente do STF e governo optam por resposta diplomática à tarifa de 50 de Trump e ataques à Justiça brasileira

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, dialogou com o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos EUA. Ficou decidido que o STF não se manifestará publicamente sobre a carta de Donald Trump, deixando a resposta para a política e diplomacia. O anúncio da tarifa, feito por Trump, incluiu críticas à Justiça brasileira e defesa de Jair Bolsonaro.

Crise diplomática após anúncio de tarifa

Na quarta-feira, Donald Trump comunicou, por carta enviada a Lula e divulgada em suas redes sociais, que os Estados Unidos passarão a cobrar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados. Trump justificou a medida alegando que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo alvo de tratamento “muito injusto” pela Justiça brasileira, sugerindo perseguição política. O republicano chegou a utilizar a expressão “caça às bruxas” para se referir ao julgamento de Bolsonaro, réu no STF por tentativa de golpe de Estado.

Antes da carta, Trump já vinha publicando mensagens em defesa de Bolsonaro e críticas ao sistema judiciário brasileiro. Diante da situação, Barroso, Lula e Mauro Vieira decidiram que o STF não responderia oficialmente, deixando a condução da crise para a esfera diplomática e política.

Reações do governo brasileiro

Em resposta pública, Lula afirmou que o Brasil é uma nação soberana e não aceitará ser “tutelado por ninguém”. O presidente reforçou que os processos judiciais relativos à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 são de competência exclusiva da Justiça brasileira e não admitem ingerência externa.

Durante entrevista ao Jornal Nacional, Lula declarou que o Brasil está disposto a negociar, mas exigiu respeito às decisões nacionais. Ele admitiu a possibilidade de retaliação tarifária caso não haja acordo com os Estados Unidos. “É importante deixar claro para opinião pública que não é uma taxação só ao Brasil. Ele vem taxando todos os países do mundo desde que tomou posse. É um direito dele, mas é um direito dos países reagir”, afirmou Lula.

A expectativa é que a nova tarifa entre em vigor em 1º de agosto. Até o momento, não houve conversa direta entre os dois presidentes.

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