O ex-presidente Jair Bolsonaro publicou nesta quarta-feira (9) um versículo bíblico interpretado como indireta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação ocorreu após o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, enviar uma carta ao governo brasileiro criticando o STF e justificando o novo tarifaço sobre produtos do Brasil.
A carta causou forte repercussão política em Brasília, com aliados de Bolsonaro atribuindo a Lula a responsabilidade pelas tarifas. O governo, por sua vez, vê a ação como resultado da atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Repercussão política e reação do governo
A carta enviada por Donald Trump ao governo brasileiro, no mesmo dia da publicação de Bolsonaro, atacou diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF), criticou o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e justificou economicamente a nova tarifa imposta aos produtos brasileiros.
Aliados de Bolsonaro passaram a responsabilizar Lula pelo tarifaço, alegando que a política do atual governo é hostil aos EUA. No entanto, interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que a carta de Trump é resultado direto da atuação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos mantendo contatos com o entorno de Trump.
Nota de Eduardo Bolsonaro e resposta do PT
Em nota, Eduardo Bolsonaro afirmou que a tarifa seria uma reação aos supostos abusos do ministro Alexandre de Moraes e do STF, chamando a medida de “Tarifa-Moraes”. Para o governo e aliados do PT, a carta de Trump não tem base econômica real, já que dados do governo americano mostram superávit comercial dos EUA com o Brasil. Eles veem a ação como parte de uma estratégia bolsonarista para internacionalizar a crise judicial de Bolsonaro e buscar apoio político externo para deslegitimar o Supremo.
Nos bastidores, o PT e setores do governo articulam uma resposta nas redes sociais com o mote: “Lula quer taxar os super-ricos. Bolsonaro quer taxar o Brasil.” A frase visa confrontar a narrativa bolsonarista, destacando que aliados do ex-presidente estariam articulando punições ao país ao envolver Trump em questões internas do Judiciário brasileiro.
O presidente Lula, em resposta oficial, afirmou que o Brasil é um país soberano, que não aceita tutelas externas, e que qualquer medida unilateral será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
A repercussão da carta de Trump e a reação do governo brasileiro mostram o acirramento da disputa política em torno da política externa e das relações com os Estados Unidos, além de evidenciar a tentativa de internacionalização da crise política e judicial envolvendo Bolsonaro.