O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou seu discurso em defesa dos mais pobres após o Congresso barrar o aumento do IOF. Em evento na sexta-feira (27) em Araguatins, Tocantins, Lula destacou sua prioridade aos trabalhadores e criticou a resistência dos mais ricos à proposta de isenção de IR para quem recebe até R$ 5 mil mensais. O governo busca compensar a medida com um imposto mínimo sobre altas rendas.
Reação à derrota no Congresso
Dois dias após a Câmara e o Senado rejeitarem o decreto que aumentava a alíquota do IOF, Lula utilizou um evento de reforma agrária para reafirmar seu compromisso com a justiça tributária. O Planalto avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão, que expôs a fragilidade da base parlamentar do governo.
Durante o discurso, Lula afirmou: “Eu não sou o presidente dos pobres. Eu sou vocês na Presidência da República”. Ele reforçou que governa para todos, mas tem lado: “O meu lado é o do povo trabalhador desse país, o meu lado são os professores desse país, o meu lado é o povo, o meu lado é a classe média desse país que é quem paga Imposto de Renda”.
Lula explicou que enfrenta resistência porque enviou ao Congresso o projeto que isenta de IR quem recebe até R$ 5 mil, propondo compensação com imposto sobre rendas mais altas. “Eles não querem pagar porque quem paga imposto é quem trabalha e recebe o contracheque no final do mês, que é descontado na fonte”, disse.
Ministros e aliados defendem que o aumento do IOF não era apenas para arrecadação, mas parte de um pacote de justiça tributária para garantir a meta fiscal e evitar cortes em áreas como saúde e educação.
Impactos políticos e estratégias
A derrota no Congresso foi uma das mais significativas deste terceiro mandato, revelando insatisfações inclusive dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Parlamentares criticam o governo por tentar transferir ao Legislativo a imagem de resistência à taxação dos mais ricos e por medidas que aumentam o custo de vida, como a derrubada de vetos que elevarão a conta de luz.
Apesar das críticas, auxiliares afirmam que Lula continuará defendendo a justiça tributária, estratégia considerada fundamental para recuperar sua popularidade e fortalecer sua posição para as eleições de 2026, quando pode buscar um quarto mandato.
Lula aposta no apoio de Motta e Alcolumbre para aprovar a ampliação da faixa de isenção do IR, visando implementar as novas regras até 2026. O presidente acredita que é possível melhorar a relação com o Congresso sem abrir mão do discurso em defesa dos mais pobres.